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Depois do silêncio, a ingerência e as suspeições

Pedro Passos Coelho, em carta aberta publicada pelo jornal "Observador", insurge-se contra a não recondução de Joana Marques Vidal, Procuradora Geral da República. Depois de meses de silêncio, ocupado que tem andado com a preparação das aulas, o ex-primeiro-ministro decide não só se meter no assunto precisamente na qualidade de "ex-primeiro-ministro que propôs a nomeação" de Joana Marques Vidal, como não se coíbe de deixar um deixar um manto de suspeição repousar pelas cabeças do actual primeiro-ministro como do próprio Presidente da República ao referir "motivos escondidos" que subjazem à não recondução da Procuradora.
Escusado será dizer que essas suspeições são graves mas caem em saco roto, desde logo porque a comunicação social não está minimamente interessada em referir a gravidade da carta de um ex-primeiro-ministro insinuando que com o afastamento da Procuradora se pretende fragilizar e travar investigações em curso, cerceando assim a margem de actuação da própria Procuradoria-Geral da República.
Passos Coelho nunca se recomporá daquilo que lhe aconteceu no pós-eleições, chegou, viu e efectivamente venceu, mas a sua intransigência, a sua obtusidade e inépcia apenas lhe conseguiram um conveniente lugar numa faculdade, muito longe da vida emocionante de cortar salários e pensões, privatizar tudo e mais alguma coisa e fragilizar, para gáudio dos seus apaniguados, o Estado Social. Talvez se devesse dar algum desconto ao ex-primeiro-ministro, afinal de contas aquele foi um desgosto incomensuravelmente doloroso.

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