Avançar para o conteúdo principal

Trump e Kim: direitos quê?

Todos cantaram vitória, como se esperava. O encontro entre Donald Trump, Presidente norte-americano, e Kim Jong-un, líder norte-coreano, foi apresentado por ambos como um sucesso. De resto, Trump inventou uma vitória, exacerbando uma mão cheia de nada e o inefável e aparentemente imprevisível Kim Jong-un voltou a ser uma vedeta, mudando apenas de papel e deixando obviamente cair o papel de vilão.
É também por demais evidente que entre estes dois protagonistas não há lugar para conversas sobre Direitos Humanos. Trump está-se nas tintas para direitos que desconhece e Kim viola esses direitos com a mesma naturalidade com que se toma o pequeno-almoço todos os dias.
Entre sorrisos amarelos, momentos constrangedores envolvendo apertos de mão e o empolamento de tudo e mais alguma coisa, apresentada sempre como uma vitória, e entre ainda ilusões de desnuclearização e respeito  pelos anódinos compromissos assumidos, os Direitos Humanos ficaram de fora de qualquer discussão. Desde logo porque um está-se nas tintas e o outro simplesmente viola todos esses direitos.
Recorde-se que no passado, Bill Clinton, também Presidente americano, encontrou-se com o pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, e um dos principais óbices à chegada de qualquer espécie de entendimento foi precisamente a questão central dos Direitos Humanos.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Sempre para pior.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...