Avançar para o conteúdo principal

O encontro é histórico, o resultado é que nem por isso

O mundo prepara-se para o que sairá do encontro histórico entre o Presidente americano Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, que será, muito provavelmente pouco mais do que nada: nem os EUA conseguirão a desnuclearização total da Coreia do Norte, nem a Coreia do Norte conseguirá ter uma relação diferente com os EUA e com o mundo, nem tão-pouco deixará de ser vista como uma ameaça e nada mais.
Com efeito Moon Jae-in, líder da Coreia do Sul veio dar um inédito contributo para a paz na região, aproximando-se, de forma igualmente inaudita de Kim Jong-un, aproveitando de forma exímia os jogos de inverno e a China fez-se valer da sua importância para a Coreia do Norte.
No entanto e apesar dessa aproximação, Trump continuou com a retórica repleta de acrimónia, com o líder norte-coreano a responder mais ou menos na mesma moeda. E depois dessas quezílias e de desmarcações de encontros, os dois líderes finalmente sentam-se à mesma mesa na ilha de Sentosa, em Singapura.
Trump vai atrás da desnuclearização completa - que corresponderia ao inexorável enfraquecimento do regime e a uma vitória americana. Kim Jong-un quererá um alívio das sanções e a melhoria da sua imagem. Nem um, nem outro conseguirão alcançar os respectivos objectivos, mas ambos não resistirão a declarar vitória.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...