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O encontro é histórico, o resultado é que nem por isso

O mundo prepara-se para o que sairá do encontro histórico entre o Presidente americano Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, que será, muito provavelmente pouco mais do que nada: nem os EUA conseguirão a desnuclearização total da Coreia do Norte, nem a Coreia do Norte conseguirá ter uma relação diferente com os EUA e com o mundo, nem tão-pouco deixará de ser vista como uma ameaça e nada mais.
Com efeito Moon Jae-in, líder da Coreia do Sul veio dar um inédito contributo para a paz na região, aproximando-se, de forma igualmente inaudita de Kim Jong-un, aproveitando de forma exímia os jogos de inverno e a China fez-se valer da sua importância para a Coreia do Norte.
No entanto e apesar dessa aproximação, Trump continuou com a retórica repleta de acrimónia, com o líder norte-coreano a responder mais ou menos na mesma moeda. E depois dessas quezílias e de desmarcações de encontros, os dois líderes finalmente sentam-se à mesma mesa na ilha de Sentosa, em Singapura.
Trump vai atrás da desnuclearização completa - que corresponderia ao inexorável enfraquecimento do regime e a uma vitória americana. Kim Jong-un quererá um alívio das sanções e a melhoria da sua imagem. Nem um, nem outro conseguirão alcançar os respectivos objectivos, mas ambos não resistirão a declarar vitória.

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