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Uma mudança para a qual ainda não há nome

Uns chamam-lhe nova guerra fria, outros centram-se apenas na questão síria e apelidam a nova situação de justa guerra contra o regime de Bashar al-Assad, ou qualquer coisa semelhante. 
Na verdade a Síria é apenas a antecâmara para uma mudança de paradigma geoestratégico: de um lado a Rússia e a China e do outro EUA, França e Inglaterra (e uma UE amorfa e seguidista). São estes dois blocos a imporem uma mudança nos equilíbrios de poder com um dos blocos a tomar, mais recentemente, a dianteira nos ataques ao outro bloco.
Por um lado assiste-se a um ataque económico à China perpetrado pelos EUA (erro estratégico contestado até por muitos republicanos); por outro lado, o mesmo bloco ataca os interesses russos, primeiro com o caso Skripal e depois com o ataque cirúrgico à Síria mexendo com interesses russos, tudo precipitado e sem provas contundentes. De igual modo, por um lado procura-se enfraquecer a China, ameaça ao poderio económico americano, por outro existe uma clara tentativa de isolar a Rússia.
A China riposta economicamente e a Rússia não está disposta a mexer um milímetro a sua posição na Síria - decisiva para os interesses russos.
A UE, por sua vez, volta a mostrar toda a sua irrelevância, deixando a França mostrar o seu lado assanhado para a Rússia, o que mais não é do que o último estertor de uma potência falida.
E assim se vai brincando aos blocos e ao belicismo num contexto para o qual ainda não existe nome, mas reconhecidamente explosivo.

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