terça-feira, 3 de abril de 2018

Quando se lê mentes

Ou melhor quando se julga que se lê mentes, o resultado é amiúde desastroso. Ainda assim Marques Mendes, aquela espécie de bruxo e de coscuvilheiro, tudo num só, aposta fortemente nesse exercício em que se presta à leitura de mentes. Agora a vítima foi o primeiro-ministro que, pese embora, tenha, em entrevista, excluído a hipótese de um bloco central, anseia, na verdade, por esse mesmo bloco central.
Por outro lado, pode muito bem ser que Marques Mendes nem sequer alimente a ideia de que consegue ler mentes e tudo isto não passe afinal de um exercício de psicologia ou até de psicanálise. Na verdade pode muito em ser que António Costa ao afirmar que rejeita a possibilidade de um bloco central esteja a alimentar no seu subconsciente o desejo desse bloco central. No seu subconsciente o que mais quer é um bloco central, um bloco central e um bom prato de sardinhas porque há muito tempo que o primeiro-ministro não come umas boas sardinhas.


Marques Mendes ou personifica o bruxo que acha que lê mentes e o futuro ou o Freud da SIC, capaz de entrar no subconsciente do primeiro-ministro para determinar quais são os seus desejos. Seja como for, eu se fosse António Costa punha-me a pau. E ainda dizem que a televisão tem vindo a perder qualidades, quando um canal como a SIC encontrou na mesma pessoa um bruxo e um psicanalista. Simultaneamente.

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