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O bem mais precioso


A obtenção de dados, sem consentimento dos utilizadores, para a manipulação de eleições ou simplesmente de opiniões começa a ser uma realidade como o caso que envolve o Facebook e a empresa Cambridge Analytica bem o demonstram. Esses dados pessoais e esses perfis representam hoje bens verdadeiramente valiosos.
Mark Zuckerberg, criador e Presidente Executivo do Facebook desdobra-se em esclarecimentos, primeiro na comunicação social, depois no Senado americano e hoje ainda na Comissão do Comércio e Energia da Câmara dos Representantes. Na verdade, Zuckerberg assumiu a culpa, declarando que podia ter feito muito mais para proteger os dados dos utilizadores da rede social. Verdade ou nem por isso, o facto é que o mundo também nesse particular mudou substancialmente com a manipulação de dados que ameaçam a própria democracia. 
Resta saber qual o impacto da acção do Facebook (no caso talvez seja mais adequado falar em inacção) e da empresa Cambridge Analytica nas eleições americanas das quais saiu o inefável Donald Trump e no referendo sobre o Brexit. Terá sido suficiente para determinar os resultados que todos conhecemos? Em todo o caso, é tempo de agir no sentido de proteger dados dos utilizadores e sobretudo no sentido de evitar que esses dados sejam manipulados. Não estou certa que seja a essa a vontade daqueles que tomam as decisões. Afinal de contas este é só mais um ataque às democracias, um entre muitos outros, a começar pelo capitalismo desenfreado que se vai transformando em quotidiano.

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