quinta-feira, 1 de março de 2018

Último dia

Num contexto de circo a arder, leia-se PSD a arder, Passos Coelho despediu-se do Parlamento. Escassos dias depois de se ter despedido da liderança do PSD. Deixará saudades entre as hostes laranjas, como se vê pelas dificuldades que a orfandade do ex-primeiro-ministro coloca à nova liderança, desde logo a começar pela própria liderança da bancada parlamentar, com o Presidente a conseguir o pior resultado de que há memória.
De resto, Rui Rio que aparentemente quer romper com a herança deixada por Passos Coelho sente a sua vida particularmente dificultada por quem vê na mediocridade e naquela espécie de neoliberalismo de pacotilha o caminho a seguir - o único caminho a seguir.
Passos Coelho, diz-se por aí, com manifestas dificuldades em esconder um sorriso jocoso, fará o seu caminho no mundo académico e dificilmente regressará ao partido: deixou seguidores da sua espécie de ideologia, mas seguidores que estão disponíveis para seguir um outro líder, com a mesma base ideológica, mas com um menor desgaste. Afinal de contas, embora deixe herdeiros, Passos Coelho sai desgastado aos olhos de um país que vê a esquerda tomar decisões bem menos gravosas e com resultados incomensuravelmente melhores. Passos Coelho representa para o país um capítulo encerrado que encontrou a sua justificação numa falsa premissa: uma bancarrota e um resgate forçado por si próprio e pelo inefável Paulo Portas. Nem um nem outro deixam saudades para um país que quer respirar novamente. 

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