Avançar para o conteúdo principal

Último dia

Num contexto de circo a arder, leia-se PSD a arder, Passos Coelho despediu-se do Parlamento. Escassos dias depois de se ter despedido da liderança do PSD. Deixará saudades entre as hostes laranjas, como se vê pelas dificuldades que a orfandade do ex-primeiro-ministro coloca à nova liderança, desde logo a começar pela própria liderança da bancada parlamentar, com o Presidente a conseguir o pior resultado de que há memória.
De resto, Rui Rio que aparentemente quer romper com a herança deixada por Passos Coelho sente a sua vida particularmente dificultada por quem vê na mediocridade e naquela espécie de neoliberalismo de pacotilha o caminho a seguir - o único caminho a seguir.
Passos Coelho, diz-se por aí, com manifestas dificuldades em esconder um sorriso jocoso, fará o seu caminho no mundo académico e dificilmente regressará ao partido: deixou seguidores da sua espécie de ideologia, mas seguidores que estão disponíveis para seguir um outro líder, com a mesma base ideológica, mas com um menor desgaste. Afinal de contas, embora deixe herdeiros, Passos Coelho sai desgastado aos olhos de um país que vê a esquerda tomar decisões bem menos gravosas e com resultados incomensuravelmente melhores. Passos Coelho representa para o país um capítulo encerrado que encontrou a sua justificação numa falsa premissa: uma bancarrota e um resgate forçado por si próprio e pelo inefável Paulo Portas. Nem um nem outro deixam saudades para um país que quer respirar novamente. 

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...