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Agradecimentos na despedida

Manda a apetência que a democracia tem para o pluralismo e para a diversidade ideológica e a boa educação que deputados, membros do Governo e Presidente da Assembleia da República estendam os seus agradecimentos ao antigo primeiro-ministro e agora ex-deputado Pedro Passos Coelho. Foi assim na despedida.
Esses agradecimentos, dispensados pelos partidos mais à esquerda do PS, são um mero exercício de boa educação e espírito democrático por parte de alguns deputados e membros do Governo. Na verdade, poucos reconhecerão no trabalho de Passos Coelho razões para agradecimentos, desde logo porque Passos Coelho coadjuvado por Paulo Portas, forçaram a solução troika para abrirem as portas à aplicação de uma ideologia radical e para fundamentarem essa aplicação lamentando-se que não tinham alternativa porque o anterior Governo deixou o país na falência. 
Contra tudo e contra todos, até porque os negócios assim o exigem, e mesmo apesar da relutância da Alemanha, Passos Coelho levou a sua avante: sabotou uma solução alternativa à troika, desempenhou o papel de salvador da pátria, enquanto executou um conjunto de políticas sem precedentes de privatização e de cortes nas áreas sociais do Estado e nos salários e pensões. Tudo isto enquanto se fazia de vítima e de salvador, afinal de contas caiu-lhe em cima a responsabilidade de salvar o país da bancarrota. Não restem dúvidas que o manto de suspeição que sempre caiu sobre José Sócrates foi uma verdadeira bênção para Passos Coelho, na medida em que constituiu um facto que deu consistência ao seu plano..
Do meu ponto de vista, não há razão de nenhuma para agradecer a Passos Coelho, o espírito democrático e a boa educação não são sinónimos de branqueamento da verdade. O antigo primeiro-ministro vai agora dar aulas no ensino superior público, levando a mediocridade para onde esta não devia ter lugar, mantendo-se assim a inexistência de razões para agradecer a Passos Coelho. Não havendo razões para agradecer, existindo antes razões para não esquecer o antigo primeiro-ministro e a suas políticas devastadoras para o país.

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