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Uma revolução nas políticas culturais

O Bloco de Esquerda quer ouvir o ministro da Cultura, Filipe Castro Mendes, sobre a demora do Ministério em lançar concursos para financiamentos plurianuais da DGartes, um processo excessivamente longo que contribui para a paralisação das estruturas artísticas.
Este Governo deixou cair a secretaria de Estado  da Cultura para recuperar o Ministério da Cultura, prometendo voltar a dar à cultura a tão necessária atenção. O BE recorda que nos últimos dez anos este foi um dos sectores mais fustigados com perdas no financiamento rondar os 50%. O actual Governo, apoiado pelos partidos mais à esquerda, parecia promissor aos olhos dos actores culturais, pelo menos esperava-se mais, muito mais.
Na verdade, a diferença entre este Executivo e o anterior parece estar mais relacionada com o regresso ao Ministério da Cultura e talvez com a diminuição na intensidade do desprezo manifestado por esta área do que propriamente com uma aposta séria no sector.
Em rigor, esta é uma área invariavelmente associada à subsidio-dependência, toldada pela ignorância e pelos preconceitos; uma área que não colhe votos, como outras.
Quem está nas artes continua a trabalhar, a produzir e a criar, mas sem as condições necessárias, o que resulta naturalmente na parcimónia da oferta cultural - manifestamente pobre para um país que está na moda do turismo.
Este Governo estará longe de impulsionar a revolução nas políticas culturais que se exigiria. À semelhança de outros faz da Cultura um parente pobre da política, sempre dissociado da educação. De resto quem é que precisa de políticas culturais? O país está na moda, a ignorância e a exiguidade de horizontes são perfeitamente aceitáveis num mundo em que o que conta é vomitado por um ecrã negro. Porém, a longo prazo esta é uma factura que será cara e paga por todos.

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