quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Para onde vai a esquerda?

O acordo na Alemanha entre conservadores da CDU de Merkel e sociais-democratas de Schultz para um governo de coligação pode servir de mote para uma discussão sobre o rumo que o que resta da esquerda tem vindo a adoptar na Europa. 
Existe uma estratégia adoptada por vários partidos de esquerda que se resume a uma aproximação excessiva à direita, ao ponto de já nem sequer fingirem que são partidos de esquerda, facto que resultou no enfraquecimento e quase desaparecimento de vários partidos de esquerda, designadamente socialistas e sociais-democratas. Nas coligações como aquela que se repete na Alemanha, assiste-se sobretudo ao esvaziamento dos partidos de esquerda, transformados em excrescências com utilidade irregular - servem para formar maiorias que permitam governar, acabando mesmo por anuir na prossecução de políticas verdadeiramente de direita. A esquerda moderada vai-se tornado irrelevante, muito por culpa própria: aproximação e confusão com a direita, incapacidade de adoptarem um discurso consonante com os tempos modernos, presos ao oportunismo de participar em soluções governativas, custe o que custar, desprezando as suas próprias identidades.
Portugal tem sido nos últimos dois anos e até aqui uma excepção. Esquerdas unidas, divergentes, mas convergentes suficientemente para viabilizar a aplicação de um programa político mais próximo da esquerda. 
No entanto, são muitos os que ainda sonham com regressos a soluções de bloco centrais, mesmo dentro de partidos como o PS. Outros congeminam formas de viabilizar esse bloco central, enfraquecendo a actual solução governativa - neste particular é impossível não relevar a importância da comunicação social.
Para onde vai a esquerda? É indiscutível que os partidos de esquerda portugueses podem dar um contributo determinante para a discussão. Entretanto são muitas as forças que tentarão enfraquecer e liquidar esta solução política, Portugal quer-se governado pelo bloco central de interesses que causa agrado a uma Europa rendida aos encantos do capitalismo mais selvagem.

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