Avançar para o conteúdo principal

O congresso da pequenez


O congresso do PSD que serviu para entronizar o líder eleito Rui Rio foi o espelho da pequenez de um partido desorientado por estar longe do poder e, pior de tudo, sem perspectivas de o recuperar.
A pequenez do partido é patente na forma como as distritais que apoiaram Rio se mostraram “magoadas” por terem ficado excluídas, nas escolhas polémicas como o caso da inefável ex-bastonária da Ordem dos Advogados, Elina Fraga, nos avisos de quem ainda não foi a eleições, mas parece querer ir agora, como é o caso de Luís Montenegro e na omnipresença de Santana Lopes. Pelo meio, muitos não acreditam nas palavras de Rui Rio a rejeitar a possibilidade de um bloco central.
O resto do congresso voltou a pautar-se por mais pequenez, com exercícios repetitivos sempre com José Sócrates na boca de todos. De resto, não há mais nada para além de Sócrates. Não há ideias, projectos ou qualquer coisa remotamente semelhante, apenas tentativas de promover a mediocridade e ignomínia a heroísmo, tudo num conjunto de exercícios verdadeiramente surreais.
E ainda na pequenez a voz que fala mais alto pertence aos órfãos de Passos Coelho que vêem em Rio um líder de transição e olham para Montenegro como um pai em potência. E este será o maior problema de Rio, este e a mais inexorável ausência de ideias num contexto em que a esquerda continua a surpreender, sempre pela positiva.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...