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Se 2017 tivesse terminado a 16 de Junho e se o desinvestimento no Estado não tivesse sido tão apregoado

O Presidente da República, na sua mensagem de Ano Novo, voltou a referir, enfaticamente, a necessidade do Estado cumprir as suas funções essenciais, designadamente nas áreas da segurança e na defesa. Aliás, se o ano tivesse terminado a 16 de Junho, tudo teria sido perfeito: consolidação das contas públicas, saída do procedimento por défice excessivo; redução da taxa de desemprego, redução dos juros e da dívida, etc.
Certo. Mas impõe-se um acrescento: se o desinvestimento em áreas essenciais do Estado não tivesse sido a panaceia para todos os nossos problemas, talvez a dimensão das tragédias fosse outra. Desinvestimento e cedência de competências do Estado ao sector privado não podem ficar de fora da discussão, precisamente o que o Presidente tem feito.. A responsabilidade é do Governo por não ter desfeito o que tem vindo a ser feito ao longo de décadas, mas a responsabilidade não se pode ficar pelos lados do Executivo de António Costa. Há mais, muito mais, como é fácil depreender.
De igual modo, não deixa de ser curioso ver tanta gente que, noutros tempos apregoava a redução do Estado e naturalmente das suas funções, vir agora a terreiro fazer a defesa do contrário, sublinhando a necessidade de reforçar essas funções do Estado. E esta trágico-comédia mantém-se e está para durar, como se vê quer na direita, quer na sua criadagem presente na comunicação social.
Marcelo Rebelo de Sousa, um populista aparentemente afectuoso, continuará a bater na mesma tecla, com pequenas nuances apelidadas de reinvenções, e fará das tragédias o centro da sua presidência, sem nunca, contudo, abordar convenientemente o desinvestimento que tem vindo a ser feito no Estado e que não pode ser dissociado das tragédias.

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