sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

PSD: um debate decisivo

Seria suposto tratar-se de um debate decisivo aquele que teve lugar nos estúdios da TVI, no dia 10. Não terá sido o caso, tratou-se, ao invés, de um debate que nada acrescentou porque nada existe a acrescentar, existe apenas vazio de conteúdo, de ideias, de projectos, de futuro com ambos candidatos presos ao passado por não terem qualquer espécie de futuro para oferecer.
Santana Lopes cola-se o mais que pode a Passos Coelho (está a contar com a orfandade do ainda Presidente do partido para ganhar as eleições) procurando escamotear um passado pejado de falhanços, não se livrando, por muito que tente, de uma certa aura de chico-espertismo. 
Rui Rio quer parecer sério, credível, em inexorável oposição ao seu adversário, posicionado menos à direita, mas resta também o vazio que partilha com Santana, a par de uma certa artificialidade. Rio tenta sobretudo parecer mais sério do que Santana, o que, sejamos realistas, não é particularmente difícil.
Ambos querem ter a orfandade de Passos Coelho do seu lado; ambos sabem que os órfãos daquela espécie de neoliberal pode ser decisiva; ambos chegaram ao ponto de tratar Passos Coelho, o tal neoliberal de pacotilha, como uma espécie de herói nacional - isto para se ter ideia do quão a orfandade do ainda líder do partido é apetecível.
Mas e um projecto alternativo? Falou-se de reorganização administrativa do território, saúde e segurança (sem quaisquer propostas), crescimento económico (discussão meramente semântica), políticas sociais (concretamente? nenhuma). Em resumo, uma manifesta pobreza de conteúdo.
De um modo geral não existem muitas diferenças entre os candidatos, embora exista uma que salta à vista: com Rui Rio vencedor manter-se-á a sigla PSD; com Santana Lopes teremos que nos habituar à exasperante sigla PPD/PSD. E quanto a diferenças dignas de registo, estamos verdadeiramente conversados.

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