Avançar para o conteúdo principal

PSD: o primeiro debate

O primeiro debate entre os dois candidatos à presidência do PSD não entusiasmou nem o mais acérrimo adepto do partido. Na verdade, o debate morno, intercalado por alguns momentos quase dramáticos sem nunca o serem, contribui para a ideia de que o sucessor de Passos Coelho dificilmente será particularmente melhor do que o próprio Passos Coelho, facto que seria dramático se a mediocridade assustasse alguém no partido, coisa que não parece acontecer.
Depois de largos minutos marcados pela insipiência, Rio decidiu atacar o adversário recorrendo ao passado repleto de falhanços; o seu adversário, Santana Lopes, retorquiu recorrendo a frases melodramáticas começadas por "tu", não esquecendo porém de acusar Rio de trair o partido, vezes sem conta. E terá sido este o momento alto do debate.
Quanto ao conteúdo, alternativas, ideias, não há muito a dizer e menos a escrever pela simples e prática razão que conteúdo, alternativas e ideias andaram ausentes pelo debate, tal como andam ausentes do partido.
Em consequência, o PSD prepara o caminho da continuidade, independentemente de quem será o seu líder. A mediocridade, essa, marcará presença, resta apenas saber se acompanhada por umas frases vazias, mas aparentemente sérias de Rui Rio, ou pelo tom melodramático de Santana Lopes. 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...