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Bloco central

Só a ideia faz muitos salivar. Bloco central é o principal palco para a promiscuidade entre poder político e económico, como os últimos quarenta anos demonstram. Bloco central é o contexto ideal para que muitos negócios venham a conhecer a luz do dia, sobretudo com o enfraquecimento dos serviços públicos que abrem as portas aos conhecidos negócios.
Rui Rio, novo líder do PSD, mostra-se adepto da ideia, como se estivesse já convencido da derrota do seu partido nas próximas eleições, manifestando uma indisfarçável vontade de estar no poder,  mesmo sendo forçado a dividi-lo com o PS. Resta saber como se comportará a orfandade de Passos Coelho, a mesma que depositou tantas esperanças na eleição de Santana Lopes, e que vê agora um arauto do bloco central à frente dos destinos do partido. De resto, se pretenderem honrar o pai Passos Coelho, essa orfandade lutará contra o bloco central e, por consequência, contra a nova liderança.
Paralelamente, António Costa proferiu declarações que mostram a sua intenção de continuar a dar preferência à actual solução política, mantendo-se "no mesmo caminho e com a mesma companhia". Para já é esta a posição de Costa.
Seja como for, a ideia do bloco central é demasiado apelativa para que os sectores mais poderosos da sociedade portuguesa abandonem a mesma. Aliás, é indiscutível que a eleição de Rio já nos pôs a todos a falar em bloco central - facto particularmente inquietante. 

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