terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Alguém está a preparar a despedida?

Pedro Passos Coelho que já tinha avançado que sairia da liderança do PSD, volta a partir corações, desta feita com o anúncio de que abandonará também o Parlamento. Resta saber se já haverá quem esteja a preparar a despedida.
Pesaroso com o facto de não ter chegado a um segundo mandato, isto porque a democracia funciona, o ainda líder do PSD mostrou-se invariavelmente incapaz de ultrapassar a sua condição: líder do PSD e deputado.
Depois de ter contribuído decisivamente para a vinda da troika - facto convenientemente esquecido -, Passos Coelho escolheu o pior dos caminhos: uma austeridade que postulou sacrifícios incomensuráveis para trabalhadores e pensionistas e o recrudescimento de potenciais negócios, numa espécie de eldorado para as empresas e suspeitos do costume.
Agora confrontado com a dura realidade (fora do Governo e na sombra dos sucessos do actual Executivo) Passos Coelho sai de cena, uma verdadeira inevitabilidade, sem no entanto fechar definitivamente a porta da política, infelizmente.
Dir-se-á que, à semelhança de outros que também passaram pela política, rapidamente esqueceremos Passos Coelho. Talvez não. Na verdade o país ainda hoje está a pagar a factura das suas políticas, seja com a destruição dos serviços públicos, seja com as privatizações. Passos Coelho partilha com José Sócrates uma característica: ambos são difíceis de esquecer porque as suas acções ainda habitam o presente.
Seja como for, a questão mais premente permanece: estará alguém a preparar a despedida de Passos Coelho? Existem razões que justificam a uma festa... de despedida, mas ainda assim uma festa.

2 comentários:

osátiro disse...

Boa noite, Estimada Ana.
Não sei onde está a relevância da saída de PPC...
O que aconteceu e onde está António José Seguro?
ou mesmo Carlos Carvalhas?
ou João Semedo?

trata se de politica....

Ana Alexandra Gonçalves disse...

A relevância da saída de Pedro Passos Coelho está nas razões evocadas no texto. Nenhum dos exemplos que são indicados tiveram a relevância e as consequências da governação de Passos Coelho, quer por ter contribuído decisivamente para a solução troika, quer pela política de austeridade até à morte - tantas vezes procurando ir mais longe, sempre mais e mais longe, agradando obviamente aos negócios, alimentando claro está a promiscuidade entre poder político e poder económico, com privatizações e enfraquecimento do que resta de serviços públicos. A saída de Passos Coelho, tanto do partido, como do Parlamento é motivo para festa e celebração, mais não seja por se encerrar um período de tempo em que vigorou uma espécie de neoliberalismo de pacotilha aliado a inauditas doses de mediocridade.