sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Uma Europa sem saber o que fazer com os anseios independentistas

Independentemente de como será o futuro próximo da Catalunha, a vontade de parte dos catalães - resta quantificá-la - não esmorecerá, bem pelo contrário. Paralelamente, a questão da Catalunha pode contribuir  para o reacendimento da luz independentista em vários países europeus, com maior ou menor intensidade. E apesar do processo falhar, aparentemente.
Não levará muito tempo até se começar a trazer à colação a vontade dos povos, colocando-se em causa o próprio conceito de Estado-nação. E quem pensa que o afastamento de Puigdemont ou eventualmente a sua prisão e o esmagamento de qualquer tendência independentista resolve o assunto, estará muito enganado. Rajoy engana-se a si próprio e aos espanhóis quando julga que é através da intransigência e da recusa de qualquer espécie de diálogo que colocará um ponto final na questão da Catalunha independente. Depois de cortar as aspirações de maior autonomia - que provavelmente resolveria o assunto - escolhe agora desferir golpes derradeiros nas intenções independentistas, com repressão e prisões.
Por outro lado, a UE que finge não sair beliscada com o Brexit, que finge que o pior da crise, erradamente atribuída a alguns Estados-membros, bodes expiatórios de excelência, já passou e que finge ainda alguma espécie de coesão, não sabe o que fazer com o levantamento de questões independentistas. Entre dentes vai-se manifestando próxima da Espanha e oficialmente procura não se imiscuir. Nem uma posição, nem a outra contribuem para qualquer solução. A Europa também neste particular comporta-se como uma barata tonta que não sabe muito bem para onde ir. Sente que uma Catalunha independente e eventualmente outras regiões independentes vão contra o espírito europeu de união e coesão, mas não sabe como agir, desde logo porque essa união e coesão são meras ilusões que alimentam uma elite que não quer perceber o que está errado com a UE. Em suma, trata-se de uma Europa que esqueceu há muito da necessidade de ouvir os cidadãos.


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