quinta-feira, 23 de novembro de 2017

PS e austeridade

É uma ilusão pensar-se que o Partido Socialista não foi, nem é apologista da austeridade, e é outra ilusão pensar-se que este Governo socialista estará disposto a repor tudo o que foi perdido ao longo destes anos. Vem isto a propósito da pressão de sindicatos da Administração Pública para que seja reposto o que foi retirado, designadamente em matéria de congelamento nas progressões da carreira. O sucesso dos sindicatos dos professores nesse particular terá dado ânimo a que outros reclamassem as mesmas medidas.
Ora, o primeiro-ministro diz que não e que não é "possível refazer a História", o Presidente afirma que não se pode "desbaratar o que deu tanto trabalho", o Bloco de Esquerda não se mostra disposto a ir excessivamente em sentido contrário ao PS e PCP deixa os sindicatos, designadamente os que lhes são afectos, fazerem o trabalho de oposição.
A reposição do que se perdeu, na Administração Pública e fora dela, é uma exigência legítima, mas em larga medida irrealista. Como já se afirmou o PS é também um partido de austeridade e tem vindo a aplicá-la, em doses mais suaves e procurando não apanhar as franjas mais frágeis da sociedade e, em sentido contrário, até se tem verificado uma reposição de rendimentos. Ir mais longe é irrealista, pelo menos na actual conjuntura de subjugação à moeda única. E é neste particular que tocamos na ferida: no contexto do Euro a austeridade - a passada e a presente - está para ficar. Não é sério pensar-se o contrário. Por conseguinte, trata-se, no fundo, de uma escolha que também ela não estará em cima da mesa: a permanência neste enquadramento da moeda única.
Como se deduz que não existe qualquer espécie de vontade de sair do Euro, sobretudo agora que o pior parece já ter passado no que diz respeito à saúde das economias europeias e que existem demasiados factores de instabilidade (Brexit, Trump, Rússia), a solução, pelo menos para já, passa por redistribuir essa austeridade de forma mais justa. Deste ponto de vista, o actual Executivo tem feito muito mais nesse sentido da justiça do que o anterior Governo. É bom ter isso em mente.



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