Avançar para o conteúdo principal

PS e austeridade

É uma ilusão pensar-se que o Partido Socialista não foi, nem é apologista da austeridade, e é outra ilusão pensar-se que este Governo socialista estará disposto a repor tudo o que foi perdido ao longo destes anos. Vem isto a propósito da pressão de sindicatos da Administração Pública para que seja reposto o que foi retirado, designadamente em matéria de congelamento nas progressões da carreira. O sucesso dos sindicatos dos professores nesse particular terá dado ânimo a que outros reclamassem as mesmas medidas.
Ora, o primeiro-ministro diz que não e que não é "possível refazer a História", o Presidente afirma que não se pode "desbaratar o que deu tanto trabalho", o Bloco de Esquerda não se mostra disposto a ir excessivamente em sentido contrário ao PS e PCP deixa os sindicatos, designadamente os que lhes são afectos, fazerem o trabalho de oposição.
A reposição do que se perdeu, na Administração Pública e fora dela, é uma exigência legítima, mas em larga medida irrealista. Como já se afirmou o PS é também um partido de austeridade e tem vindo a aplicá-la, em doses mais suaves e procurando não apanhar as franjas mais frágeis da sociedade e, em sentido contrário, até se tem verificado uma reposição de rendimentos. Ir mais longe é irrealista, pelo menos na actual conjuntura de subjugação à moeda única. E é neste particular que tocamos na ferida: no contexto do Euro a austeridade - a passada e a presente - está para ficar. Não é sério pensar-se o contrário. Por conseguinte, trata-se, no fundo, de uma escolha que também ela não estará em cima da mesa: a permanência neste enquadramento da moeda única.
Como se deduz que não existe qualquer espécie de vontade de sair do Euro, sobretudo agora que o pior parece já ter passado no que diz respeito à saúde das economias europeias e que existem demasiados factores de instabilidade (Brexit, Trump, Rússia), a solução, pelo menos para já, passa por redistribuir essa austeridade de forma mais justa. Deste ponto de vista, o actual Executivo tem feito muito mais nesse sentido da justiça do que o anterior Governo. É bom ter isso em mente.



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecências, vai fa

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa

Outras verdades

 Ontem realizou-se o pior debate da história das presidenciais americanas. Trump, boçal, mentiroso, arrogante e malcriado, versus Biden que, apesar de ter garantido tudo fazer  para não cair na esparrela do seu adversário, acabou mesmo por cair, apelidando-o de mentiroso e palhaço.  Importa reconhecer a incomensurável dificuldade que qualquer ser humano sentiria se tivesse que debater com uma criança sem qualquer educação. Biden não foi excepção. Trump procurou impingir todo o género de mentiras, que aos ouvidos dos seus apoiante soam a outras verdades, verdades superiores à própria verdade. Trump mentiu profusamente, até sobre os seus pretensos apoios. O sheriff de Portland, por exemplo, já veio desmentir que alguma vez tivesse expressado apoio ao ainda Presidente americano. Diz-se por aí que Trump arrastou Biden para a lama. Eu tenho uma leitura diferente: Trump tem vindo a arrastar os EUA para lama. Os EUA, nestes árduos anos, tem vindo a perder influência e reputação e Trump é o ma