terça-feira, 7 de novembro de 2017

O paraíso de uns e o inferno de outros

A existência de paraísos fiscais implica como o próprio nome indica o paraíso para uns, mas pressupõe também o pesadelo de outros que têm de compensar a fuga de impostos, assistindo ao excesso de impostos que atinge sobretudo as classes trabalhadoras. Só deste modo poderá ainda existir resquícios das funções do Estado que são depois benefício de todos, mesmo daqueles que tudo fazem para fugir aos impostos.
Recapitulando o que o Consórcio de Jornalistas de Investigação conseguiu apurar nos chamados "Paradise Papers": existem ligações de elementos próximos de Trump pagos por uma empresa russa a operações off-shore; a Rainha de Inglaterra tem de milhões nas ilhas Caimão em operações que envolvem uma empresa sem escrúpulos e sem vergonha que cobra juros altos aos mais pobres; membros próximos do primeiro-ministro canadiano também aparecem nos "Paradise Papers"; outras personalidades do mundo da política e do espectáculo idem idem, aspas aspas.
E qual o impacto de mais este escândalo na comunicação social? Para além de mais uma prova que o paraíso de uns - os mais ricos e poderesos - é o inferno de outros - uma maioria que cada vez de forma mais unilateral tem vindo a sustentar as funções do Estado? Escasso. Depois da desilusão que foram os "Panamá Papers", pelo menos no que diz respeito ao aprofundamento dos temas e consequências para os envolvidos, talvez a própria opinião pública deposite poucas esperanças nesta novidade apelidada "Paradise Papers". Talvez a própria comunicação social faça pouco caso de assuntos que podem envolver protagonistas dos grupos económicos que a dominam ou seus associados. Talvez.

Certezas apenas as do costume: o sentimento de impunidade dos mais ricos e poderosos mais não é uma verdadeira carta branca para que tudo seja possível, ficando a sua defesa resumida à complexidade "e incompreensão da estrutura legal em que se baseia o negócio dos off-shores" (citação atribuída a advogados das off-shores envolvidas). Por outras palavras, vós sois todos demasiado ineptos para compreender a complexidade de um paraíso que é mesmo só para alguns.

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