quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A política transformada em paródia

Páginas de jornais, tempo de antena em abundância cuja finalidade é retratar ou criticar a paródia em que se transformou a presidência americana. Trump em visita oficial ao Japão transforma-se em mais uma oportunidade de descrever as verdadeiras palhaçadas protagonizadas por aquele que é incrivelmente o Presidente americano.
Todavia, essas páginas de jornais e tempo de antena e, claro está, críticas, vídeos, fotos, etc na internet, constituem uma monumental perda de tempo e, mais grave, acabam por dar um contributo decisivo para que se desviem as atenções do essencial - a política. 
Reconheço que se torna irresistível não tecer uma crítica, não escrever umas frases ou publicar uns vídeos ou fotografias das peripécias de um Presidente que pensa poder dizer e fazer o que bem entende, tudo num contexto da mais abominável mediocridade. Ainda assim, a nossa incapacidade colectiva de não resistir a essa compreensível tentação, reduz consideravelmente o espaço para que se discutam as políticas desta Administração. Um bom exemplo foram os acontecimentos dos últimos dias, designadamente um tiroteio numa igreja no Texas e a viagem de Trump ao Japão. E o que é que um acontecimento tem a ver com o outro? Tudo. O assassinato de quase três dezenas de pessoas na igreja poderia representar mais uma oportunidade para se debater e escrutinar as posições desta Administração no que toca à questão das armas -  e terá sido, durante um curto espaço de tempo. No entanto, a viagem de Trump ao Japão e o seu comportamento pueril vieram direccionar as atenções para o que aconteceu no país do sol nascente. E novamente páginas de jornais, tempo de antena e toda a internet se entretêm e nos entretêm com o modo displicente como Trump alimentou peixes, deixando a descoberta, uma vez mais, a paciência do primeiro-ministro japonês.

E desta forma continuamos a dedicar toda a nossa atenção, quase de forma exclusiva, à parodia, descurando o essencial, o que serve o próprio Trump e solidifica a sua base de apoio que recusa qualquer espécie de reconhecimento de que talvez se tenha enganado e, essencialmente, olha para Trump e vê o Presidente como sendo uma vítima da comunicação social.

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