terça-feira, 21 de novembro de 2017

4 partidos, 4 semanas. Resultado: novas eleições

4 partidos (CSU, conservadores sociais cristãos, CDU, partido conservador liderado por Angela Merkel, os liberais do FDP e Verdes), 4 semanas de negociações. Resultado: zero. Não há acordo e muito provavelmente a realização de novas eleições.
Terá sido o FDP a fragilizar e inviabilizar o acordo conhecido por Jamaika (correspondência das cores dos partidos com a da bandeira daquele país). Contrariamente ao que se poderia esperar, as dificuldades não vieram dos Verdes, partido que tem vindo a virar à direita, rendendo-se aos encantos do neoliberalismo. Foi mesmo o FDP a colocar um ponto final na questão.
Segundo a imprensa, existiram dois temas quentes na agenda de negociações: refugiados e clima, sendo que era neste último tema que os Verdes procuraram reclamar a sua agenda ecológica. Mas terá sido sobretudo a questão dos refugiados a colocar pressão numa ferida que parece cada vez mais aberta e cujas receitas para que se verifiquem melhorias não parece estarem ao alcance dos principais partidos. À espreita está o AfD, partido de extrema-direita, que conseguiu mais de 12 % dos votos e representação parlamentar, pela primeira vez. O falhanço das negociações entre os principais partidos pode efectivamente contribuir para um aumento da erosão dos mesmos, facto que já se verificou nas últimas eleições, com a CDU e o SDP a perderem eleitorado.
Será na realização de novas eleições que reside esse perigo. Não sendo possível a coligação entre os quatro partidos, a possibilidade de Merkel solicitar ao Presidente novas eleições volta a estar em cima da mesa. 

Na verdade a realização de novas eleições parece a hipótese mais plausível. Não parece realista que Merkel governe em minoria, nem tão-pouco existe essa tradição na Alemanha; nem parece provável que o SDP volte atrás na palavra e aceite coligar-se com a CDU. Restam, por conseguinte, novas eleições, nas quais não é de excluir nova penalização dos partidos de governação, com benefício para partidos como o AfD. Afinal de contas, sobra também a ideia de que esses partidos não são capazes de se entender ou de resolver problemas prementes e que promovem a divisão como é o caso dos refugiados. O AfD está à espreita ansioso por uma nova oportunidade.

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