terça-feira, 5 de setembro de 2017

PCP e a Coreia do Norte


O teste, desta feita com recurso a uma bomba de hidrogénio, é não só mais um exercício em que Kim Jong-un enceta nova manifestação de força, como é mesmo a mais inquietante manifestação de força do surreal regime norte-coreano.
Kim Jong-un, apesar das incertezas e das encenações, revela estar disposto a tudo para se perpetuar no poder, recusando ser mais um ditador a cair como tantos outro antes de si. As ameaças, sobretudo com recurso ao nuclear e a mísseis interbalísticos, são o instrumento de eleição do líder norte-coreano que intensificou as referidas manifestações de força sobretudo depois da eleição de Donald Trump.
O teste da bomba “H”, depois de ameaças directas à ilha de Guam, são motivos de forte inquietação, embora não para todos. O líder do PCP, na festa do Avante que contou com uma delegação do partido comunista da Coreia do Norte, prefere apontar o dedo exclusivamente aos americanos, ao velho e conhecido imperialismo americano, ilibando por inerência um regime que não só é maior antítese da democracia como representa um perigo regional e global.
Por estas páginas critica-se, com especial veemência, a Administração Trump, considerando o actual Presidente nefasto para a democracia americana e para o mundo. Porém, as diferenças entre a democracia americana, com todos os seus defeitos, e a ditadura norte-coreana que desafia a imaginação capaz dos cenários mais rebuscados, são abismais.
Paralelamente, se existe um regime que coloca em causa a paz mundial, não se coibindo de ameaçar os países vizinhos, esse regime é o norte-coreano. Jerónimo de Sousa procurou não decretar o apoio do seu partido ao regime da Coreia do Norte de forma mais directa, mas acabou por mostrar de que lado está o PCP e novamente o PCP está do lado errado. Não é o “imperialismo americano” o responsável “pela criminosa escalada de confrontação que, a não ser travada, conduzirá a Humanidade à catástrofe”. É exactamente o contrário.
O facto é que não se pode apregoar a democracia e piscar à ditadura mais execrável. Com efeito “não há festa como esta”. Tão surreal, pelo menos.


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