Avançar para o conteúdo principal

Kim Jong-un tem motivos para sorrir?

Após as ameaças a Guam, visando interesses americanos, e depois de um teste com uma bomba de hidrogénio que provocou um sismo artificial, o regime norte-coreano manifesta intenção de continuar o rol de ameaças, chegando ao ponto de ameaçar directamente os EUA com novos "presentes" na calha.
Questiona-se se será apenas a sobrevivência do regime que está em causa e que justifica a conduta de Kim Jong-un. O facto é que o regime não parece disposto a cessar ou até abrandar o rol de provocações dirigidas sobretudo aos EUA.
Perante uma China que profere críticas mas que não manifesta qualquer intenção de retirar apoio  ao regime norte-coreano, até por preferir o actual estado de coisas do que uma Coreia unida sob influência americana, Kim Jong-un parece ter percebido que pode efectivamente levar tudo ao limite.
O facto de um conflito contra a Coreia-norte desencadear uma retaliação visando os vizinhos Coreia do Sul e Japão e o facto ainda de um conflito desta natureza se poder transformar num conflito global são factores que naturalmente fortalecem a posição de Kim Jong-un na precisa medida em que o líder norte-coreano sente-se com uma acentuada margem da manobra. Kim Jong-un tem motivos para sorrir.
A retórica do regime norte-coreano é simples: as manobras da Coreia do Sul apoiadas pelos EUA encaixam na perfeição na ideia de um inimigo e da união de todo um povo contra esse inimigo que ameaça o país. E se isto funciona em contextos de maior abertura, imagine-se num país totalmente manietado e alheado do resto do mundo. 
Nada disto é verdadeiramente novo: Kim Jong-un, à semelhança do seu avó e do seu pai, tudo faz para desenvolver tecnologia nuclear como forma de perpetuar um regime ditatorial assente no culto da personalidade. Todavia, Kim Jong-un está claramente disposto a ir mais longe do que os seus antecessores.

Paralelamente existe outra diferença difícil de rebater: os EUA são liderados por um inepto divisionista e com sinais de senilidade que por sua vez conta com o apoio de uma industria do armamento que se cansa do jejum fruto da inexistência de uma guerra envolvendo os EUA.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...