quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Kim Jong-un tem motivos para sorrir?

Após as ameaças a Guam, visando interesses americanos, e depois de um teste com uma bomba de hidrogénio que provocou um sismo artificial, o regime norte-coreano manifesta intenção de continuar o rol de ameaças, chegando ao ponto de ameaçar directamente os EUA com novos "presentes" na calha.
Questiona-se se será apenas a sobrevivência do regime que está em causa e que justifica a conduta de Kim Jong-un. O facto é que o regime não parece disposto a cessar ou até abrandar o rol de provocações dirigidas sobretudo aos EUA.
Perante uma China que profere críticas mas que não manifesta qualquer intenção de retirar apoio  ao regime norte-coreano, até por preferir o actual estado de coisas do que uma Coreia unida sob influência americana, Kim Jong-un parece ter percebido que pode efectivamente levar tudo ao limite.
O facto de um conflito contra a Coreia-norte desencadear uma retaliação visando os vizinhos Coreia do Sul e Japão e o facto ainda de um conflito desta natureza se poder transformar num conflito global são factores que naturalmente fortalecem a posição de Kim Jong-un na precisa medida em que o líder norte-coreano sente-se com uma acentuada margem da manobra. Kim Jong-un tem motivos para sorrir.
A retórica do regime norte-coreano é simples: as manobras da Coreia do Sul apoiadas pelos EUA encaixam na perfeição na ideia de um inimigo e da união de todo um povo contra esse inimigo que ameaça o país. E se isto funciona em contextos de maior abertura, imagine-se num país totalmente manietado e alheado do resto do mundo. 
Nada disto é verdadeiramente novo: Kim Jong-un, à semelhança do seu avó e do seu pai, tudo faz para desenvolver tecnologia nuclear como forma de perpetuar um regime ditatorial assente no culto da personalidade. Todavia, Kim Jong-un está claramente disposto a ir mais longe do que os seus antecessores.

Paralelamente existe outra diferença difícil de rebater: os EUA são liderados por um inepto divisionista e com sinais de senilidade que por sua vez conta com o apoio de uma industria do armamento que se cansa do jejum fruto da inexistência de uma guerra envolvendo os EUA.

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