quarta-feira, 5 de julho de 2017

Trump e a comunicação social

Quando pensávamos que Trump não poderia descer mais baixo e depois ainda de ter deixado, precisamente neste espaço, umas linhas sobre as suas alarvices, não é que o Presidente dos EUA volta-nos a surpreender pela negativa através da colocação no habitual Twitter do próprio a agredir a CNN. Desta feita, não chega falar em simples alarvices. O caso é mais grave na medida em que existe um claro incitamento à violência contra a comunicação social, concretamente contra a CNN. Tudo ainda mais surreal quando é o Presidente dos EUA a colocar o referido vídeo.
Trump, por diversas ocasiões, prestou-se à triste figura de atirar farpas à comunicação social, chegando a elegê-la como inimigo número um. Desde as famigeradas "fake news", passando pelo triste episódio em que o candidato Trump imitou, procurando ridicularizar, um jornalista com incapacidade física, foram muitos - demasiados - os episódios contra órgãos de comunicação social, não excluindo o recurso legal a cerceamentos à própria liberdade de imprensa. Pelo menos o Presidente americano já manifestou essa vontade.
Também neste particular Trump comporta-se como um ditador senil, desrespeitando todos os que pensam e agem de forma diferente da sua.
A CNN havia colocado uma notícia que não era verdadeira. De imediato retratou-se e retirou a notícia que visava precisamente Donald Trump. O Presidente não terá ficado satisfeito e respondeu se como sabe: através do Twitter, com a deselegância e prepotência que lhes são habituais. No entanto, a gravidade do que está implícito no vídeo não pode ser ignorada. Afinal de contas, trata-se do Presidente dos EUA incitando actos de violência contra um órgão de comunicação social, sendo ele próprio a derrubar e a agredir uma figura cujo rosto era precisamente o logótipo da CNN. 
É esta figura que estará amanhã na Polónia, em visita oficial, e que procurará acentuar divisões numa região cuja história é onerosa e não totalmente sanada. É com esta figura que se contará para fazer face ao lançamento, por parte da Coreia do Norte, de um míssil intercontinental e é também esta triste figura que tem um navio de guerra a passar junto a ilhas disputadas pela China. É todo um mundo de possibilidades terríveis que se abre.





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