sexta-feira, 14 de julho de 2017

Os contributos outrora conhecidos como plágio

O debate do estado da Nação não foi brilhante para os partidos de direita, centrados na ideia de enfraquecimento do Estado depois de Pedrogão e Tancos. Em bom rigor ninguém estaria verdadeiramente à espera de um discurso brilhante por parte de Passos Coelho ou de Assunção Cristas, mas não era necessário plagiar, não era preciso chegar a esse ponto. Mas foi precisamente isso que Passos Coelho fez ao socorrer-se de passagens de um texto colocado por Poiares Maduro no Facebook. Passos Coelho copiou oito parágrafos do post do seu ex-ministro.
Dir-se-á que esse facto não merece importância, que se trata de mais um exercício de crítica pela crítica e que tudo ficou em casa, até porque Poiares Maduro foi ministro do Governo de Passos Coelho. Os seus apaniguados referem que se tratou de um contributo, e que aparentemente é natural que esses ditos contributos prescindam de qualquer referência ao nome do contribuidor.

Contudo, importa relevar que criticar Passos Coelho não é um desporto nacional. Trata-se antes de sublinhar a importância que os partidos da oposição têm no contexto democrático. O país precisa de um outro líder da oposição; o país prescinde de tanta mediocridade, não necessita de alguém empenhado em aproveitar tudo politicamente, incluindo hipotéticos suicídios; o país prescinde de tanta mediocridade ao ponto de copiar pura e simplesmente o que não é da sua autoria, sem sequer citar o autor. Este gesto do ex-primeiro-ministro, por muito inócuo que possa aparentar ser, não deixa de revelar toda essa mediocridade que inquinou a oposição, inviabilizando os equilíbrios de que as democracias também se alimentam. Não, criticar Passos Coelho não é um desporto nacional. Nem tão-pouco é suficiente pedir mais do Governo enquanto se esquece a importância dos partidos da oposição. A democracia só tem a ganhar com esse escrutínio e com essa maior exigência. Passos Coelho mostra estar manifestamente aquém do que se exige do líder do maior partido da oposição. De resto, não se pode esperar muito de quem anseia pelo Diabo.

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