terça-feira, 4 de julho de 2017

O silêncio de uns, as rezas de outros

É escusado tentar dourar a pílula, o que se passou em Tancos é inadmissível: o roubo de armamento numa base militar de um país da NATO é preocupante, desconfiando-se desde logo que se trata de um trabalho encomendado e que as armas já nem estarão em Portugal. Quem fez este assalto conhecia as vulnerabilidades que foram, inacreditavelmente, muitas.
E nem tão-pouco há outra forma de dizer isto: o Estado falhou e falhou a todos os títulos numa das suas competências elementares: salvaguardar o seu armamento.
Não sendo ainda possível aferir com todo o detalhe o que falhou, não será de excluir ainda assim da equação os incomensuráveis cortes que atravessaram todos serviços do Estado. Resta avaliar o peso desta variável na equação.
Se por um lado, temos um Estado que falha; por outro temos uma oposição desesperada. Incapaz de fazer face aos bons resultados da actual solução política, designadamente no que diz respeito ao contexto económico, e incapazes de disfarçar o seu falhanço e a sua incompetência, a oposição de direita agarra-se literalmente ao que pode. Pelo caminho as manifestações descaradas de hipocrisia, como se nada tivessem a ver com o que quer que seja, são profusas.
De resto, esta oposição age como se viesse de um outro planeta onde a competência faz escola e as consequências da austeridade, como modo de vida, nunca tivessem existido.
Com efeito, um planeta que só existiria naquelas cabeças se as mesmas fossem, de facto, possuidoras dos recursos criativos para imaginá-lo.
E depois temos a cereja no topo do bolo: Assunção Cristas, numa luta constante contra a sua própria irrelevância pede demissões, enquanto tenta crescer – uma clara impossibilidade.

Ficaria a frase para a posteridade, em entrevista à SIC, não fosse a insignificância da líder do CDS: “Um primeiro-ministro não pode ter curiosidade”. Profere a frase quem, enquanto ministra da Agricultura e face ao problema dos incêndios, rezava para que chovesse. O primeiro-ministro António Costa escolheu o silêncio. Escolheu mal, a gravidade do que se passou em Tancos merece mais; Cristas escolheu rezar. Nada mais a dizer.

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