sexta-feira, 7 de julho de 2017

Coreia do Norte... novamente

Depois do lançamento de um míssil balístico intercontinental que carregava, segundo as autoridades norte-coreanas, uma ogiva "pesada", a Coreia do Norte volta a sofrer uma forte contestação das Nações Unidas e, evidentemente, dos EUA.
E são precisamente os Estados Unidos a deixarem o aviso: estão preparados para recorrer ao uso de força com vista a pôr término ao desenvolvimento de mísseis nucleares por parte da Coreia do Norte. E embora reforcem a necessidade de seguir a via diplomática, os EUA e a Coreia do Sul lançam os seus próprios mísseis. E é naquilo que resta de uma Guerra Fria esquecida que se assiste a manifestações de força de ambos os lados.
Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, aposta em demonstrações de força que o aproximam de um lunático, mas com o objectivo de garantir a sobrevivência do seu regime déspota. Depois do que se passou em países como o Iraque, Líbia ou Síria, o líder norte-coreano aposta tudo no desenvolvimento de mísseis de longo alcance com capacidade nuclear e tentará dessa forma dissuadir qualquer tentativa de ingerência americana ou até um cenário pior.
Os EUA, por seu lado, têm na Presidência alguém que reage ao lançamento de um míssil balístico intercontinental da seguinte forma: "Há consequências para o seu muito, muito mau comportamento". No passado, sobretudo com Bill Clinton e até certo ponto com Barack Obama, os EUA procuraram não agravar o clima melindroso existente quer entre as Coreias, quer entre a Coreia do Norte e os seus vizinhos e também relativamente aos próprios EUA. Bush, filho, reverteu o trabalho de Clinton, colocando a Coreia do Norte no "Eixo do Mal" e agora de Trump pode-se estar à espera de tudo, mesmo de tudo.
E pelo meio está a China. O regime chinês dá sinais de algum esgotamento de paciência em relação à sua protegida Coreia do Norte, mas manifesta igualmente forte exasperação com os EUA que insistem em que os seus navios de guerra naveguem pelos mares da China. A Coreia do Norte deve, em larga medida, a sua existência como regime ditatorial da pior espécie a uma China que dá sinais de já ter sido mais compreensiva do que será hoje. Mais uma razão para Kim Kong-un acelerar o seu programa de misseis nucleares por forma a garantir a sua sobrevivência. 

Com efeito, ninguém quererá uma guerra na região, sobretudo quando o armamento nuclear está em cima da mesa. A própria Coreia do Sul será o primeiro país a não desejar essa guerra. E Trump? Não sabemos. O que sabemos é que "haverá consequências para o muito, muito mau comportamento" da Coreia do Norte.

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