quinta-feira, 1 de junho de 2017

Uma Europa mais forte

A Europa não tem outro caminho que não passe pelo seu fortalecimento, sendo que, muito provavelmente, terá de fazer esse caminho sozinha. Angela Merkel tem, por conseguinte, razão quando afirma que nós Europeus temos de tomar o destino nas nossas mãos, chamando a atenção para o facto de não podermos contar com os EUA sob a presidência de Donald Trump. O Presidente americano deu a sua resposta da forma e pela via habitual: repleto de classe, via twitter.
O mundo está em acelerada mudança e há um facto a relevar: a Europa está mais isolada, num contexto em que vingam líderes como Donald Trump, Erdogan ou Putin; num contexto em que a UE deixa de ter no seu seio o Reino Unido.
Assim, parece que o caminho passará pela consolidação do eixo franco-alemão, com Merkel e Macron como protagonistas. O eixo franco-alemão já foi central à UE, mas com resultados francamente negativos, até para o mais fervoroso europeísta.
Existindo uma verdade difícil de rebater nas palavras da Chanceler alemã, não é menos verdade que a Europa tem dedicado o seu tempo e a sua energia a assuntos de menor importância, verificando-se mesmo períodos em que esse desperdício de tempo e de energia apenas teve como efeito o enfraquecimento da união. Falamos, claro, da obsessão com a austeridade - obsessão essa que não resultou em mais do que no deterioração da UE, no empobrecimento dos povos, e no desviar de atenções daquilo que é essencial. Enquanto Schäulble e companhia chamavam a atenção para o países prevaricadores, o mundo estava em acelerada mutação, sem que a Europa se prepara-se para as mudanças que já estavam a acontecer e para aquelas que se avizinhavam.
Com efeito, terá sido a moeda única, as políticas que lhe subjazem e a prepotência de alguns, sobretudo pelas mãos da Alemanha, que resultou num apagamento do projecto europeu e no enfraquecimento da união.

Agora, num mundo muito diferente daquele de há ano, a Europa, sob a voz de Merkel acorda para a vida. A ver vamos se esse acordar não será tardio. Os sinais, esses, são inquietantes.

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