quarta-feira, 21 de junho de 2017

Tempos em que o desprezo era rei

O Presidente da República, mantendo-se fiel a si próprio, mostrou estar junto das populações que foram assoladas pela tragédia dos incêndios. E aquilo que dificilmente seria criticável - o apoio, os gestos de afectos e de solidariedade - começa a sê-lo. O primeiro a abrir as hostilidades terá sido o deputado do CDS, Hélder Amaral, que alega que não bastam "beijinhos no dói-dói". De seguida vieram os comentadores de pacotilha que, finalmente, viram uma oportunidade para criticar um Presidente que é diametralmente oposto a Cavaco Silva e que, também por essa razão, passou a ser detestável.
Escusado será dissertar sobre a importância de gestos como aqueles que são agora alvo de crítica, se não se percebe a sua importância, então pouco haverá a fazer.
Por outro lado, a ideia que nada haverá a fazer – ideia essa atribuída ao Presidente - estaria relacionada com a força da natureza; se Deus tivesse sido evocado talvez os ânimos serenassem. Situação que poderia bem ter acontecido, tendo em linha de conta as crenças de Marcelo Rebelo de Sousa. De resto, a líder do partido de Hélder Amaral, dizia rezar para que chovesse e assim apagar o fogo das florestas.
Enfim, procura-se atingir um Presidente que muito tem procurado estar junto de quem precisa, correndo riscos óbvios de ser considerado populista. Ainda assim, essa proximidade fará a diferença para quem neste momento está num sofrimento atroz.
Como declaração de interesses, importa referir que não sou, nem nunca fui ideologicamente próxima do actual Presidente, mas reconheço estar perante alguém que procura desempenhar as suas funções com grande empenho. Ainda assim, prefiro os beijinhos de Marcelo no dói-dói do que as ferroadas, o cinismo e o cinzentismo do anterior Presidente da Repúblico. Prefiro eu e, não tenho dúvidas, a maior parte dos portugueses. 

Sendo certo que vozes de burro não chegam ao céu, creio que as críticas infundadas e injustas que começam a chover sobre o Presidente merecem estas linhas. Ele simplesmente não pode mais e muito tem procurado fazer, enquanto outros, em circunstâncias semelhantes, embora não com um desfecho tão trágico, continuavam as suas férias como se nada se passasse. Tempos em que o desprezo era rei,

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