Avançar para o conteúdo principal

Basta

A primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou que é tempo de dizer “basta” aos ataques terroristas. A conferência de imprensa decorreu depois de mais uma noite de terror, desta feita na capital, Londres.
A afirmação de Theresa May é certeira: basta de atentados terroristas. Mas basta também de vendas incomensuráveis de armas à Arábia Saudita, terra pródiga na génese e na proliferação da ideologia extremista que está subjacente a esses atentados; basta de, em nome de petrodólares, se cometerem erros crassos; basta de acções que resultam em vazios de poder ocupados por grupos extremistas; basta de apoios, por parte de países como os EUA, Reino Unido ou França, a grupos ou indivíduos apostados em derrotar quem ocupa o poder em países do Norte de África e do Médio Oriente, simultaneamente apoiantes ou executores do jihadismo.
Infelizmente, Theresa May não se referia ao que está acima enumerado, até porque ela própria apoiou ou contribuiu e contribui para o pior dos contextos.

É evidente que o trabalho das polícias e dos serviços secretos são essenciais para o que o tal basta seja mais do que um desejo ou um grito de revolta; é igualmente evidente que o trabalho feito no seio das comunidades muçulmanas, com a participação activa dos seus líderes, é fundamental. Mas todo esse trabalho é inglório quando se cometem e continuam a cometer erros em troca de libras, dólares, petróleo ou de simples poder. E é também nesse particular que se deve dizer “basta”. A começar pelo próximo dia 8 de Junho; a começar por se dizer “não” àqueles que hoje gritam “basta”, mas que tanto contribuíram para a instabilidade que se vive no seu país. Basta também de tanta hipocrisia.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Outras verdades

 Ontem realizou-se o pior debate da história das presidenciais americanas. Trump, boçal, mentiroso, arrogante e malcriado, versus Biden que, apesar de ter garantido tudo fazer  para não cair na esparrela do seu adversário, acabou mesmo por cair, apelidando-o de mentiroso e palhaço.  Importa reconhecer a incomensurável dificuldade que qualquer ser humano sentiria se tivesse que debater com uma criança sem qualquer educação. Biden não foi excepção. Trump procurou impingir todo o género de mentiras, que aos ouvidos dos seus apoiante soam a outras verdades, verdades superiores à própria verdade. Trump mentiu profusamente, até sobre os seus pretensos apoios. O sheriff de Portland, por exemplo, já veio desmentir que alguma vez tivesse expressado apoio ao ainda Presidente americano. Diz-se por aí que Trump arrastou Biden para a lama. Eu tenho uma leitura diferente: Trump tem vindo a arrastar os EUA para lama. Os EUA, nestes árduos anos, tem vindo a perder influência e reputação ...