segunda-feira, 29 de maio de 2017

A deselegância em pessoa que tanto nos distrai

Quando pensávamos que a conduta do Presidente americano não poderia piorar, apercebemo-nos o quão fácil é cairmos no engano. Tudo pode ser pior do que imaginávamos, como prova a cimeira da NATO em que Trump foi protagonista pelas piores razões. Desde dirigir-se aos vários aliados de forma grosseira falando em dinheiro e em dívidas, como se as alianças tivessem apenas como propósito o pagamento de uns e as dívidas de outros, passando pela atitude invariavelmente arrogante de uma espécie de cowboy de trazer por casa, enfeitado com as habituais gravatas de mau gosto, culminando com um empurrão ao primeiro-ministro do Montenegro, para tomar o lugar dianteiro na foto.
Tudo é mau, incrivelmente grotesco e ridículo. Trump saiu dos Estados Unidos pela primeira vez na qualidade de Presidente dos EUA: fez uma visita oficial à Arábia Saudita para vender armas; visitou o Papa que, sem um pingo de entusiasmo, o recebeu; passou por Israel, deixando no museu do Holocausto uma mensagem própria de uma criança de seis anos.  E ainda teve tempo de ofender os alemães. Tudo sempre caracterizado, claro, por uma arrogância desmedida.

A Internet delicia-se com as tropelias de Trump e o mundo anda distraído com as mesmas. Pelo caminho, o Presidente americano fez um negócio milionário com a venda de armas à berço da ideologia que inspirou e inspira o terrorismo da carnificina. Pelo caminho Trump, envia um navio de guerra para o mar do Sul da China, num acto de clara provocação, que deixa interrogações sobre o que será a política externa americana relativamente à China. E o Presidente americano teve ainda tempo para deixar todos confusos, precisamente na Cimeira da Nato, ao incluir nas ameaças à NATO a própria Rússia. A mesma que mancha a sua Administração com suspeições atrás de suspeições.
Confuso? Sim, o cenário perfeito para nos distrair do essencial da política americana com um aparente palhaço a dirigi-la, ou talvez nem tanto. Andamos muito distraídos, portanto quem sabe quem dirige verdadeiramente a maior potência mundial?

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