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Arábia saudita e os direitos das mulheres

Parece anedota, mas a Arábia Saudita integrará a Comissão dos Direitos das Mulheres das Nações Unidas. Já em 2015, na ONU, o mesmo país tinha encabeçado um painel dos direitos humanos. Não é anedota, não é falta de noção, são os petrodólares a ditar as regras, por muito ridículas que estas possam ser.
Nunca será demais recordar que o reino da Arábia Saudita trata as mulheres de forma ignóbil. Por ali, onde reina o petróleo e a compra de armas às potências mundiais, as mulheres não podem conduzir, nadar, fazer exercício em público. Não podem casar ou sair do país sem autorização masculina - as mulheres têm um guardião masculino. Têm acesso condicionado a universidades, transportes públicos, bancos, etc, já para não falar em direitos essenciais como o voto (apenas podem votar em eleições locais). Tudo sob vigilância apertada da Mutaween (polícia religiosa). Por ali, onde reina o petróleo e a compra de armas aos EUA, França ou Reino Unido, as mulheres são tratadas abaixo de cão.
A UN WATCH (ONG) compara esta votação à escolha de um incendiário para chefe dos bombeiros.
É evidente que esta escolha só vem enfraquecer o que resta de credibilidade das próprias Nações Unidas, deixando a certeza de que os negócios entre alguns dos seus países, no caso os países que votaram no Conselho Económico e Social da ONU, dominam tudo, inclusivamente os direitos humanos, em concreto os direitos das mulheres.
É ridículo, é um atentado aos direitos das mulheres, é um retrocesso - é isso tudo. E é sobretudo o peso dos petrodólares. Ponham os olhos nos países que votaram favoravelmente. Até gostaríamos de o fazer, mas a votação é secreta. Esconde-se a vergonha. 

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