Avançar para o conteúdo principal

A Geringonça não tem funcionado para Portugal

As palavras só podiam ser de Passos Coelho que, numa feira de pastéis de nata, enchidos e bebidas, faz questão de aprofundar a questão. Ora, segundo o anterior primeiro-ministro, aquilo que é designado por Geringonça não tem funcionado para Portugal, apesar "do sucesso intelectual internacional e do interesse académico e político. Passos Coelho vai mais longe dando a entender que esta é uma solução aparentemente boa, mas só à distância, visto de perto é um horror, sobretudo para ele que tanto desespera pelo Diabo.
É evidente que o ministro das Finanças francês que recentemente confessou ter inveja dos resultados da economia portuguesa, só pode proferir tais afirmações porque se encontra a uma distância considerável de Portugal, o que inviabiliza um olhar mais de perto para o horror que é esta geringonça.
De um modo geral, a direita não tem discurso por se encontrar esvaziada de argumentos. Para além dos indicadores económicos genericamente positivos, até o Eurostat revelou esta semana que as despesas do Estado português são ligeiramente inferiores à despesa média dos Estados-membros da Zona Euro, deixando, por esta via, de lado a teoria (muito do agrado do anterior Governo) que postula que o Estado é gordo e que precisa urgentemente de um emagrecimento. É tudo a ajudar.
A geringonça não funciona para Portugal, diz Passos Coelho. E a questão que se impõe é a seguinte: se a Geringonça não está a funcionar para Portugal, então está a funcionar para quem? A própria construção da frase de Passos Coelho, de tão medíocre e descabida de sentido, deixa-nos ainda mais expectantes em relação ao próximo período eleitoral que pode muito bem ser a despedida daquele que foi, incrivelmente, primeiro-ministro de Portugal.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...