quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Relatório: "Matadouro Humano : Enforcamentos e Extermínio em Massa na Prisão de Saydnaya, Síria"

 A Amnistia Internacional denuncia 13 mil execuções sumárias na prisão de Saydnaya, na Síria, através de enforcamento, sobretudo de civis. 13 mil em quatro anos.
Segundo esta organização não-governamental, "entre 2011 e 2015, todas as semanas e muitas vezes duas vezes por semana, grupos de até 50 pessoas eram levadas das suas celas e enforcadas". A organização acrescenta que "antes de serem enforcadas, as vítimas passam por um procedimento superficial de um a dois minutos, num chamado Tribunal Militar de campanha" e que " os presos condenados são levados a meio da noite - sob o pretexto de serem transferidos para uma prisão civil e só têm conhecimento do que lhes vai acontecer quando já têm a corda ao pescoço".
Para além de se tratarem de processos sumários e muito à revelia dos direitos humanos, estes procedimentos remetem-nos para regimes como o regime nazi, com presos a serem levados,sob falsos pretextos, para a morte.
Mais uma pista quanto à natureza do regime de Bashar al-Assad. E nem o seu combate aos "rebeldes" associados ao Daesh permite ignorar que este é um facínora da pior espécie. O seu combate ao Daesh não lhe dá carta branca para cometer atrocidades próprias dos piores regimes. Nem tão pouco a associação dos detidos  à oposição ao seu regime lhe dá qualquer margem para cometer os crimes descritos pela Amnistia Internacional e por tantas outras organizações não-governamentais. De resto, aqueles que ainda sobrevivem nas prisões de Bashar al-Assad vivem em condições sub-humanas. 
Por tudo isto e por muito mais, não é desprovido de sentido falar-se de crimes cometidos por al-Assad contra a humanidade.
Deste modo, deve a comunidade internacional levantar a sua voz, com ou sem a participação russa. Matadouros humanos já tivemos de sobra no passado - os mesmo que ainda nos atormentam a alma. Não podemos aceitar a sua existência em pleno século XXI.

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