sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Como dar cabo de mais um banco e ainda assim fazer-se de vítima em três lições

Sobre a frase em epígrafe importa olhar para o PSD. Depois de ter sido Governo, depois defender a privatização da Caixa Geral de Depósitos, ao mesmo tempo que ignorava os problemas e necessidades do banco, Passos Coelho e os seus acólitos vestem o papel de ofendidos e de vítimas. Como? Fácil: atiram tudo o que podem ao ministro das Finanças que subitamente cometeu o mais grave dos crimes, como se todos estes ofendidos e vítimas fossem, de alguma forma impolutos.
Vamos ao que interessa: como dar cabo de mais um banco e ainda assim vestir o papel de vítima:
Primeira lição: não ter pudor, ao invés, manifestar a incrível capacidade de ter a maior lata do mundo, ignorando os problemas do banco público e centrando todas as atenções no Ministro que tem conseguido fazer aquilo que competia ao PSD, corrigir aquilo que herdou do anterior Governo – garantir a liquidez e viabilidade do mais importante banco do sector financeiro português. Ao mesmo tempo que se aproveita a oportunidade para escamotear o sucesso do actual Governo nas metas e indicadores económicos que merecem, inclusivamente, elogios da Comissão Europeia.
Segunda lição: fingir que são incapazes de dormir à noite preocupados que estão com a dignidade do Parlamento, ao ponto do Presidente da Comissão de Inquérito demitir-se. Fingir igualmente que a dignidade do Parlamento acabou no dia em que SMS trocadas entre o ministro das Finanças e aquele erro de casting de seu nome Domingues não foram escarrapachadas na A.R. e, evidentemente, na comunicação social.
Terceira lição: vitimização, atrás de vitimização, enquanto se finge que a privatização da C.G.D. nunca foi desejo ardente da liderança do partido. Com a ajuda de um advogado/comentador numa muito aldrabada quadratura do círculo (com uma única e honrosa excepção), o PSD dedica-se à vitimização enquanto anseia pela queda do Ministro e a subsequente instabilidade política e financeira.
A ironia disto é indisfarçável: o mesmo partido que grita a palavra dignidade, é o mesmo que já a perdeu, desde logo quando, em troca de um regresso ao poder, está disposto a ver o país a arder. Viva o PSD, viva Portugal, de preferência sob o jugo do Diabo. Pelo caminho esqueça-se a vontade de privatizar e ignore-se aquilo que aparenta ser incompetência e que tantas vezes degenera nessa mesma privatização e nos subsequentes negócios, partições e percentagens. Afinal de contas o PSD nem foi Governo durante os últimos (quase) cinco anos.


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