Avançar para o conteúdo principal

Claustrofobia democrática

Em nada serve à democracia cair-se em exageros. PSD e CDS, arredados que andam do poder, caem amiúde neste erro de exagerar e colocar em causa o bom funcionamento do Parlamento e da democracia. É claro que o desespero leva-nos invariavelmente ao exagero. 
A questão das sms e a importância desmedida dada às mesmas continua na agenda dos partidos que outrora, e em má hora, governaram este país. Ora, a azia, perdão, claustrofobia democrática de que fala Luís Montenegro, líder da bancada parlamentar do PSD, pode muito estar relacionada com o facto de se utilizarem comissões de inquérito para fins para as quais as mesmas não foram criadas. Na verdade, PSD e CDS pretenderam dar outro fim à comissão de inquérito, cuja finalidade nada tinha a ver com a troca de correspondência ou sms entre o ministro das Finanças e ex-Presidente da Caixa Geral de Depósitos. Tudo culminou com a demissão do Presidente da mesma comissão de inquérito, também ele ilustre membro do PSD.
Agora, pretende-se utilizar a figura do próprio Presidente da Assembleia para passar a ideia de que o Parlamento está a passar pela referida claustrofobia. Um exagero ao qual Marcelo Rebelo de Sousa pretendeu colocar um ponto final encontrando-se com o Presidente da Assembleia da República e com a muito indignada Assunção Cristas, líder do CDS.

Na ausência de ideias, perante o sucesso da actua Governação, afundados na já habitual mediocridade e agora com offshores a persegui-los, pouco mais resta aos partidos da direita para além de uma birra ou outra, o que por si, não é trágico. De evitar, no entanto, colocar em causa o bom funcionamento do Parlamento e da democracia quando não é de todo o caso. Pedro, tanto gritou "lobo" que já ninguém acreditava nele. E o lobo se alguma vez chegar não será durante esta governação. De resto, todos nos lembramos de momentos bem mais graves no Parlamento, durante os famigerados anos de Passos Coelho, com Assunção Esteves como Presidente da AR, anos em que se citava Simone de Beauvoir a troco de nada, deturpando o significado das suas palavras. Agora "offshore" é a palavra do dia.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...