segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A resposta da Europa

A escassas semanas depois da tomada de posse de Donald Trump e depois de se confirmar o pior da nova Administração americana, aguarda-se a resposta da Europa que, a julgar pelos primeiros sinais, parece ter a intenção de não esperar mais para ver.
Na sequência do Brexit e da eleição de Donald Trump, para além das hipotéticas vitórias de Marine Le Pen, em França, e outras possíveis viragens do género, muito olham para Angela Merkel como sendo a salvadora da democracia liberal.
Ora, se a resposta da Europa está dependente desta “salvadora da democracia”, estamos em maus lençóis. Desde logo, o messianismo, em política, não traz bons resultados; depois, a Europa precisa de união, de políticas comuns, de coesão social, e de uma força que não tem existido na união. Ora, é precisamente na questão da união que o contributo de Merkel e do seu inefável ministro das Finanças deram o pior dos resultados. Depois de anos a humilhar e a subjugar membros da UE (o caso da Grécia toca o abjecto), como se esperar que os responsáveis por essa humilhação, que tanto contribuiu para a desunião, possa reforçar os laços europeus?
Paralelamente, falta aferir o peso da hegemonia alemã na própria decisão dos ingleses de saírem da UE. Ou será que esta união dominada pela Alemanha que se dedicou a encetar exercícios de humilhação a parceiros da UE, resultando também num agravamento da crise, não terá contribuído para a escolha dos ingleses? Em bom rigor, quem é que, podendo sair, quer permanecer num grupo onde uns humilham outros e onde as perspectivas de futuro – para muitos – são sombrias?
Escusado será dizer que agora face a mudanças sem precedentes quer no seio Europeu, quer no plano mundial, torna-se premente deixar cair os exercícios de humilhação e a austeridade contraproducente. Mas não chega. Angela Merkel, responsável pelas humilhações e pelas receitas de austeridade até à morte – que tanto contribuíram para a fragilidade da União -, já não deve ter lugar na UE, muito menos com quaisquer ambições hegemónicas.

Contrariamente ao que por aí se diz, Merkel não é a salvadora da democracia liberal, pelo contrário contribuiu para a sua acentuada fragilidade, não pela via populista, mas pela via económica, cujo resultado, para além das tentativas de recuperação da hegemonia felizmente há muito perdida, redundou no agravamento da crise na Europa, ao mesmo tempo em que nações foram humilhadas.

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