Avançar para o conteúdo principal

“Levar Portugal a sério”

Passos Coelho aparece amiúde em frente de um cartaz do PSD que diz a seguinte frase: "Levar Portugal a sério" - uma espécie de lema do partido que é, ao mesmo tempo, uma curiosidade na precisa medida em que ninguém já leva a sério o líder do PSD.
De resto, avolumam-se as vozes críticas direccionadas à actual liderança: Marques Mendes terá sido o último a proferir severas críticas à liderança de Passos Coelho, desta feita a propósito da TSU - uma trapalhada filha do oportunismo.
Já ninguém leva Passos Coelho a sério, sobretudo na qualidade de rei do azedume na oposição. Quando era primeiro-ministro, apesar das inúmeras incongruências, era levado a sério. Afinal de contas era primeiro-ministro, mal ou bem.
Agora, entre diabos e outras entidades, Passos Coelho não tem qualquer credibilidade. Enquanto espera pelo Diabo a credibilidade - a pouca que lhe resta - vai-se-lhe acabando. Mais a mais, quando Passos Coelho cai no oportunismo barato de ir contra a questão da TSU quando ainda há um mês era a favor, tudo com o objectivo de colher dividendos políticos, dá mais uma machadada na credibilidade enquanto denota desespero. Já para não falar dos seus tempos como primeiro-ministro em que se pretendeu reduzir a TSU ao mesmo tempo que se aumentaria a contribuição dos trabalhadores.
O PSD tem como lema levar Portugal a sério, a questão que se coloca é no entanto a seguinte: Como é que se pode pedir para levar Portugal a sério quando ninguém já leva a sério o líder do PSD? 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...