Avançar para o conteúdo principal

Brincar com o fogo

Não será difícil perceber que nos próximos anos Trump irá brincar demasiadas vezes com o fogo, aliás, essas brincadeiras serão, como já está a ser, a marca da sua Administração. Poucos dias depois da tomada de posse, esta Administração fez saber ser sua intenção mudar a embaixada americana em Israel para Jerusalém que, como se sabe, é uma cidade dividida e disputada desde 1948.
Ainda antes de tomar posse, Donald Trump já tinha informado ser favorável à construção de novos colonatos, à revelia das próprias Nações Unidas. 
O resultado destes novos posicionamentos é preocupante, senão vejamos: o Médio-Oriente tem sido assolado por guerras e focos de instabilidade de que Síria e Iraque (e Afeganistão, se falarmos no grande Médio-Oriente) são exemplos. A região israelo-palestiniana tem, por seu lado, passado por um período de relativa acalmia - dentro daquilo que é possível na região. Ora, Trump decide, também neste particular, brincar com o fogo. De resto, o que o Médio-Oriente mais precisa é do reacender do conflito israelo-palestiniano. Aparentemente, a Administração Trump terá entretanto informado que a mudança da embaixada - com o seu óbvio significado geo-político - não será no imediato. Mas ficou a ideia e a prova de Trump tem tudo para cometer os erros mais abomináveis.

Trump brinca com o fogo, num jogo de prepotência que, ao contrário de um mero reality show, tem tudo para correr mal - para todos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...