Avançar para o conteúdo principal

Tudo pela saída limpa

Todos recordamos a imperiosa necessidade de Portugal encontrar uma "saída limpa". Passos Coelho e os seus acólitos tudo fizeram para que esse fosse o grande desígnio nacional. E assim foi, ao ponto de em nome da tal saída limpa se esconder toda e qualquer porcaria que pudesse comprometer esse impoluto objectivo. 
Vem isto a propósito da Caixa Geral de Depósitos - fonte de todas as críticas dos partidos da oposição, designadamente do PSD liderado por Passos Coelho. Segundo o anterior e não-conformado-com-a-situação primeiro-ministro, o seu Governo tudo fez pela CGD, aliás, o seu Executivo, segundo Passos Coelho, terá sido o único a colocar dinheiro no banco do Estado (o mesmo que não escondeu querer privatizar). No entanto, vem a saber-se que, em nome do tal desígnio nacional - a saída limpa -, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças de má memória, esconderam os problemas da CGD e nem o Tribunal de Contas poupa nas críticas à anterior governação.
Ainda assim e apesar de todas as evidências, Passos Coelho insiste nas críticas ao actual Governo no que diz respeito à CGD.

O que dizer de tamanha hipocrisia? O que dizer de tantas falsidades? O que resta dizer sobre tamanha irresponsabilidade? Muito pouco. Passos Coelho, o novo Messias, aquele a quem os portugueses ainda vão recorrer quando vier o tão ansiado resgate, fez tudo pela saída limpa, embora tenha borrado a sua governação e a si próprio, mas ainda assim vive pouco incomodado com os odores repulsivos de tamanha borrada. Talvez tenha perdido capacidades olfactivas. Talvez. As suas melhoras senhor anterior primeiro-ministro e não-conformado-com-a-sua-actual situação.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A outra doença

Quando todos se empenham no combate ao perigoso vírus, outras doenças subsistem, das quais se destacam a imbecilidade de líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro e uma União Europeia que pouco se esforça para mostrar algum resquício de espírito de união. Agora aparece o Presidente do Eurogrupo e também ministro das Finanças português, pouco entusiasmado, a apresentar um pacote de 500 mil milhões de euros de dívida, perdão, ajuda. Desses 500 mil milhões sobram algumas migalhas para Portugal. De resto, a Europa continua dividida entre países como a Alemanha e os Países Baixos e os países do sul. O egoísmo gritante de uns matará o que resta desta anedota, como quase matou em 2008.. Entretanto, e enquanto os líderes dessa Europa aplicam as suas energias em bloquear soluções, o fascismo vai fazendo o seu caminho, livremente, na Hungria e na Polónia, Estados-membros da UE. Havermos de superar o vírus que paralisou o mundo, mas dificilmente resistiremos à doença do egoísmo nesta espéci...