Avançar para o conteúdo principal

É tão mau quanto parece

Ainda no seguimento do artigo anterior, e como nada disto vai melhorar, acresce agora a escolha de Donald Trump para seus acólitos. Entre Goldman Boys e homens da mais assumida extrema-direita, resta um país que, a menos que aconteça um milagre, vai ter Donald Trump durante quatro longos e extenuantes anos.
Para quem é apologista da ideia de que talvez nada disto venha a ser tão mau quanto a campanha eleitoral profetizou, as escolhas de Trump para o seu círculo mais próximo vem contrariar e debilitar aquele laivo de esperança que ainda subsistia.
Steve Bannon, escolhido para principal conselheiro presidencial, assumido racista, defensor de uma América expurgada de imigrantes, detentor de um site de extrema-direita que destilava ódio, é o melhor exemplo do que nos espera. A intolerância, desta feita pouco ou nada disfarçada, será o mote de um mandato infame que enfraquecerá a democracia americana.
Resta um partido Democrata que necessita de mudança, que necessita de se afastar do dinheiro e dos protagonistas do dinheiro para se aproximar dos cidadãos; restam alguns movimentos de cidadãos que não podem desistir de lutar contra a intolerância. Falta um movimento sindical que tem deixado milhões de trabalhadores americanos órfãos e vulneráveis ao populismo.
A ideia de que talvez nada disto venha a ser tão mau quanto se julga está a ser contrariada a cada dia que passa. 
Sou incapaz de esconder o meu cepticismo. Contudo, esse cepticismo não inviabiliza um claro julgamento sobre o que deve ser feito: lutar contra a intolerância, lutar contra o retrocesso, lutar contra a mentira. Nós Europeus não podemos baixar as defesas e sucumbir a quem nos quer vender a conversa fácil da intolerância e da redução do outro ao nada.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...