Avançar para o conteúdo principal

Será que alguém ainda acredita que um muro é a solução?

A resposta é inequivocamente afirmativa, pelo menos para o novo governo inglês, mesmo sabendo que este é um recurso primário e ineficaz na contenção de migrações, fomentando antes o ódio e acentuado a preponderância de uns relativamente a outros.
À semelhança de outros países, o Reino Unido prepara-se para construir um muro, neste caso no norte do porto francês de Calais. O objectivo: travar o fluxo de refugiados, designadamente aqueles que atravessam o Canal da Mancha de camião.
Sabemos que a questão dos refugiados e dos imigrantes são indissociáveis do Brexit. Não podemos esconder, e não seria sério fazê-lo, que existem particulares dificuldades no acolhimento de quem foge da guerra, da perseguição de déspotas ou da miséria, sobretudo quando as diferenças culturais são chamadas à colação.
Não possuo soluções milagrosas. Vivo antes a dualidade humanismo/realismo, ou seja considero impreterível o salvamento e acolhimento daqueles que fogem da morte, mas não ignoro as dificuldades que os países de acolhimento acabam por atravessar, precisamente quando esse acolhimento é de monta e quando as diferenças que, por muito relativizadas que possam ser, tornam-se, amiúde, evidentes. Por muito que exista a tendência para cair nesse relativismo, a verdade é que esta postura também nada contribui para a procura de soluções.
De qualquer modo, não vejo como é que a construção de um muro pode ser seriamente considerada uma solução. Em rigor, a posição do Reino Unido não é propriamente surpreendente, afinal de contas, as respostas que deveriam ser comuns a toda a Europa estão muito longe de existirem e a nova primeira-ministra quer agradar àqueles que escolheram o Brexit por esta razão.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...