Avançar para o conteúdo principal

Assim se define um partido

A polémica causada por Jean-Claude Juncker, sem particular razão de ser, não passou ao lado do PSD. Se já se desconfiava que os mais elementares princípios éticos andavam ausentes da Rua de São Caetano, agora ainda ficamos com mais certezas.
Apregoa-se a ideia de que existe mais vida para além da política e que quem por lá andou tem precisamente a necessidade de refazer a sua vida, nem que seja numa instituição como a Goldman Sachs. É também evidente que Durão Barroso, com os seus privilégios de ex-Presidente da Comissão, poderia facilitar a vida ao partido de pertence.
O que não é admissível, pelo menos na óptica de Luís Montenegro, deputado do PSD, é que Juncker se meta no assunto. Montenegro chega a afirmar que se trata de "um espectáculo que não abona a favor da Europa", ao contrário do que se tem passado com as doses cavalares de austeridade que deliciaram o partido.

É fácil esquecer que a democracia pertence ao povo e não aos oportunistas que se passam por representantes desse povo. É fácil esquecer que são pessoas como Barroso que para além de desprezarem os mais elementares princípios éticos, retiram soberania ao povo na precisa medida que, enquanto políticos, defenderam interesses que não eram os do povo. Durão Barroso e outros enfraqueceram a democracia e devem ser tratados como aquilo que sempre foram: representantes de interesses que não são consonantes com os interesses do povo, por muito que isso cause desagrado a partidos como o PSD. Mas é também precisamente assim que se define um partido.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

O anacronismo do PCP

Domingos Lopes, destacado militante comunista, decidiu abandonar o partido e explicar o porquê desse abandono. As explicações deste militante vão na mesma linha de outros que se afastaram voluntariamente ou que foram convidados a sair e centram-se na aversão do partido ao diálogo, a dificuldade visível em lidar com a pluralidade de opinião, e na ortodoxia cega que este partido demonstra ter em relação ao que se passa no mundo. É por demais evidente que a saída do militante em questão não terá sido fruto do acaso, a pouco menos de duas semanas de um importante período eleitoral. As razões que estão subjacentes à saída de Domingos Lopes poderão não ser totalmente conhecidas, mas aquilo que é enunciado pelo ex-militante do PCP em matéria de visão do mundo e democracia interna do partido já é sobejamente conhecido. Aliás, as opiniões de dirigentes do PCP sobre regimes totalitários como o norte-coreano já não provocam espanto em ninguém. Dentro do partido há quem se reveja nototalitarismo ...