quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Ainda Donald Trump

Apenas o facto de Donald Trump ter chegado politicamente onde chegou é suficientemente inquietante para merecer uma profunda reflexão. Mesmo supondo que o candidato republicano não chega a Presidente dos Estados Unidos. O que é que se passa com a democracia americana para da mesma ter brotado um ser tão inexoravelmente vazio de ideias como Donald Trump? Com a agravante de conter em si mesmo tudo aquilo que não deve caracterizar um líder político: boçalidade, ausência de princípios democráticos, xenofobia... a lista é infindável.
A existência de criaturas como Trump não é obviamente inédita, mas contrariamente ao que se tem passado na história das democracias ocidentais. essas criaturas não chegam ao lugar politicamente mais relevante. Pululam pela finança e pelos negócios, com maior ou menor sucesso, mas sem conseguirem chegar a cargos como o de Presidente de um país como os EUA. Trump, sem grande apoio dos poderes habituais, aproveita-se disso e apresenta-se como sendo o candidato anti-establishment, mesmo sendo um protagonista do capitalismo selvagem que, naturalmente, nunca chega a criticar, preferindo atacar imigrantes e afins - um discurso que colhe simpatias, como se tem visto.
Nem os escândalos que deveriam ameaçar a imagem de Trump parece surtirem o efeito desejado. A comunicação social americana, apesar de não morrer de amores pelo candidato republicano, parece preferir dar destaque aos emails de Hillary.
Mesmo não ganhando - é a minha convicção - Trump já inaugurou uma nova era na política americana: a política do vazio, do preconceito e do espectáculo, com os perigos inerentes - qualquer coisa que Sarah Palin já havia ensaiado. E contra isto já haverá pouco a fazer.

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