segunda-feira, 6 de junho de 2016

Congresso do PS

O pluralismo é indissociável da democracia, sendo igualmente uma das suas maiores riquezas. O Partido Socialista não é excepção, felizmente. Um pequeno grupo de contestatários não concorda com o rumo adoptado pelo partido, havendo mesmo quem se desdobre em entrevistas com o objectivo de chamar a atenção para a falta de pluralismo no seio do partido.
Esse dito pequeno grupo discorda da solução política encabeçada por António Costa, mas limita-se a manifestar a sua discórdia, sem quaisquer aprofundamentos e não raras vezes manifestando preconceitos que se julgavam ultrapassados. Francisco Assis é talvez o mais reputado contestatário. Sem muito para dizer, para além das banalidades do costume, fica a ideia de que este proeminente membro do partido e mais meia-dúzia de outros sentir-se-iam mais confortáveis com uma aliança com os partidos de direita, designadamente com o PSD. Esquecem os mesmos que esse seria o caminho mais rápido para o enfraquecimento e subsequente desaparecimento, pelo menos enquanto grande partido, do PS. As lições que a Grécia socialista, a França socialista e, em menor grau, outros partidos socialistas na Europa, não são aprendidas por Assis e afins.
Um dos maiores dramas do socialismo europeu foi precisamente a sua aproximação à direita, sendo também responsável pela actual situação política na Europa marcada pela preponderância dos partidos de direita, com os resultados que todos conhecemos. O socialismo por toda a Europa afastou-se dos seus princípios, deixou de ser peixe, deixou de ser carne; quis ser aquilo que não pode ser, descaracterizou-se; traiu-se a si próprio. Os cidadãos, esses, afastaram-se e deixaram de acreditar. 
Assis e afins insistem nesse erro, indiferentes ao passado, complacentes com o presente e tristemente irrealistas quanto ao futuro.

Em suma, o pluralismo enriquece a democracia, sobretudo a democracia interna dos partidos. Assis e afins contribuem com uma visão diferente daquela adoptada por Costa. Pena é que essa visão mais não seja do que a recuperação de um bloco central que não deixa saudades.

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