Avançar para o conteúdo principal

Um tiro no pé, mais um

Assunção Cristas, líder do CSD-PP, depois de Portas que simplesmente percebeu que actual conjuntura não o comportava, apresenta uma ideia revolucionária: em vez de serem as escolas privadas a serem impedidas de abrir novas turmas, seriam as escolas públicas.
É verdade, não se trata de uma notícia do jornal satírico "Inimigo Público", Assunção Cristas disse mesmo o seguinte: "que seja a escola pública impedida de abrir novas turmas.
A líder do CDS-PP anda aos papéis - todos já o perceberam. Desde logo, não é fácil substituir o inefável Paulo Portas, e por outro lado o passado do CDS, invariavelmente comprometido com o PSD, não é famoso. Agora é a vez da líder do CDS dar um tiro no pé com uma sugestão incompreensível aos olhos da esmagadora maioria de cidadãos. Mais um.
Se as acusações de teimosia ideológica tinham pouca consistência, quando os visados eram os membros do Governo, agora a questão tornou-se ideológica e bacoca, dando-se total primazia ao privado em detrimento do público.
Curiosamente o neoliberalismo conjugado com lideranças medíocres é uma mistura risível, como Assunção Cristas tão bem o demonstra. Outros antes dela já o tinham feito. Cristas sempre aprendeu alguma coisa com Passos Coelho, mesmo que agora finja que não.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...