Avançar para o conteúdo principal

O Brasil está melhor?

Dilma fora de cena e Michel Temer, que dificilmente seria escolhido pelos Brasileiros, está agora à frente dos destinos do país. O mesmo país que se escandalizou perante a possibilidade de um Lula da Silva, alegadamente corrupto, ministro de Dilma Rousseff, mas que não parece se inquietar com a presença de tanta gente suspeita de corrupção junto de Temer, ele próprio longe de ser impoluto.
Não, o Brasil não está melhor e não está melhor pelas razões acima invocadas, mas sobretudo por se encontrar longe de uma democracia consolidada. Dir-se-á que tudo aconteceu num contexto de licitude. Sim, mas nem tudo o que é lícito é honesto e não ouvir a voz do povo, em democracia, não é honesto. No Brasil a democracia - a soberania do povo - foi derrotada.
Não se ouve a voz do povo, por razões óbvias: medo. Por muito que o Partido dos Trabalhadores tenha sucumbido a demasiadas tentações e tenha também desvirtuado a fraca estrutura ideológica de esquerda que lhe era inerente, é ainda a única esperança para muitos Brasileiros. Se a voz do povo fosse ouvida, homens como Temer não seriam eleitos.

Para já Temer está à frente dos destinos do país e com ele assistiremos a mais negócios e a menos protecção das camadas mais frágeis da sociedade brasileira. Com Temer assistiremos ao retrocesso do que resta do laicismo do Brasil; com Temer e com a direita brasileira, o país voltará para trás, para tempos que ninguém, ou quase ninguém, pretende sequer recordar. O Brasil está melhor? A resposta é óbvia.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Direitos e referendo

CDS e Chega defendem a realização de um referendo para decidir a eutanásia, numa manobra táctica, estes partidos procuram, através da consulta directa, aquilo que, por constar nos programas de quase todos os partidos, acabará por ser uma realidade. O referendo a direitos, sobretudo quando existe uma maioria de partidos a defender uma determinada medida, só faz sentido se for olhada sob o prisma da táctica do desespero. Não admira pois que a própria Igreja, muito presa ao seu ideário medieval, seja ela própria apologista da ideia de um referendo. É que desta feita, e através de uma gestão eficaz do medo e da desinformação, pode ser que se chumbe aquilo que está na calha de vir a ser uma realidade. Para além das diferenças entre os vários partidos, a verdade é que parece existir terreno comum entre PS, BE, PSD (com dúvidas) PAN,IL e Joacine Katar Moreira sobre legislar sobre esta matéria. A ideia do referendo serve apenas a estratégia daqueles que, em minoria, apercebendo-se da su...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...