Avançar para o conteúdo principal

Sobre a avidez

Já se sabia que António Costa, o Governo que lidera e a "geringonça" não podiam dar um passo em falso, nem tão-pouco criar a ideia, mesmo que falsa, de que estariam a dar um passo em falso. Se o fizessem, também já se sabia, teriam de se confrontar com uma comunicação social ávida por qualquer pretexto para fragilizar esta solução política. De resto, é também essa a esperança de Passos Coelho que se tem afundado na sua insignificância, com ou sem laivos de social-democracia.
Os últimos dias foram marcados pela demissão de João Soares, a demissão do secretário de Estado do Desporto, cujo nome ninguém se lembrará, mas pouco importa, e com a contratação de Diogo Lacerda, cujas funções não haviam sido totalmente esclarecidas - razões mais do que suficientes para a comunicação social, boa parte dela pelo menos, entrar em êxtase. A ajudar à festa, o conservadorismo serôdio de algumas chefias militares contrastam com a visão constitucional (podia ser de outra forma?) do ministro da Defesa.

Estes acontecimentos são mais importantes do que a conduta do anterior Governo no caso do Banif, facto que terá custado ao país mais uma quantidade obscena de dinheiro. São as bofetadas, o secretário de Estado cujo nome ninguém conhece ou um "amigo" de Costa que alimentam tempos de antena e páginas de jornais. Curiosamente, questionar-se casos mais graves como o de Maria Luís Albuquerque parece menos aceitável. A importância conferida aos aspectos pretensamente negativos do actual Governo é desproporcionada. Em oposição, assuntos como o caso Banif, designadamente com a possibilidade da venda atempada do banco, evitando assim mais um descalabro nas contas públicas, são efémeros e de pouca importância. É nestas alturas que Passos Coelho e os parcos acólitos que lhe resta rejubilam a sentem a esperança recrudescer. Até porque a avidez não é exclusivo da comunicação social.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

PSD: Ainda agora começou e parece que já está a acabar

Dois dias depois da realização do congresso do PSD as vozes da discórdia fazem-se ouvir, designadamente Luís Marques Mendes e José Miguel Júdice. E se o congresso foi particularmente negativo para o recém-eleito Rui Rio, o dia seguinte não está a ser melhor. Rio eleito para uma liderança de transição, mesmo que obviamente não admitida, não terá qualquer estado de graça, até porque há uma parte do partido que se sente excluído, sobretudo agora que já choraram o desaparecimento do pai Passos Coelho e que estão preparados para virar a página.  Por outro lado, Rio fez as piores escolhas possíveis, designadamente a vice-presidente, facto que terá provocado reacções negativas não só por parte dos apaniguados de Passos Coelho, mas de quase todo o partido. E as explicações estão longe de ser convincentes. As democracias vivem de pluralidade, sobretudo no que diz respeito às escolhas políticas. A fragilidade do PSD não é uma boa notícia, mas não deixa de ser uma consequência dir...

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

A morte lenta de democracia

As democracias vão morrendo lentamente. Exemplos não faltam, desde os EUA, passando pelo Brasil. No caso americano cidades como Portland têm as ruas tomadas por forças militares, disfarçadas de polícia, que agem claramente à margem do Estado de Direito, uma espécie de braço armado do Presidente Trump. Agressões, sequestros, prisões sem respeito pelos mínimos que um Estado de Direito exige, são práticas reiteradas e que ameaçam estender-se a outras cidades americanas. Estas forças militares são mais um sinal de enfraquecimento da democracia americana. Recorde-se que o ainda Presidente ameaça constantemente não aceitar os resultados que saírem das próximas eleições, isto claro se perder.  No Brasil a história consegue ser ainda pior e mais boçal. A família Bolsonaro e as milícias fazem manchetes de jornais.  Em Portugal um partido como o "Chega" é apoiado por proeminentes empresários portugueses, como a revista Visão expõe na sua edição desta última sexta-feira. A democr...