Avançar para o conteúdo principal

Sobre a avidez

Já se sabia que António Costa, o Governo que lidera e a "geringonça" não podiam dar um passo em falso, nem tão-pouco criar a ideia, mesmo que falsa, de que estariam a dar um passo em falso. Se o fizessem, também já se sabia, teriam de se confrontar com uma comunicação social ávida por qualquer pretexto para fragilizar esta solução política. De resto, é também essa a esperança de Passos Coelho que se tem afundado na sua insignificância, com ou sem laivos de social-democracia.
Os últimos dias foram marcados pela demissão de João Soares, a demissão do secretário de Estado do Desporto, cujo nome ninguém se lembrará, mas pouco importa, e com a contratação de Diogo Lacerda, cujas funções não haviam sido totalmente esclarecidas - razões mais do que suficientes para a comunicação social, boa parte dela pelo menos, entrar em êxtase. A ajudar à festa, o conservadorismo serôdio de algumas chefias militares contrastam com a visão constitucional (podia ser de outra forma?) do ministro da Defesa.

Estes acontecimentos são mais importantes do que a conduta do anterior Governo no caso do Banif, facto que terá custado ao país mais uma quantidade obscena de dinheiro. São as bofetadas, o secretário de Estado cujo nome ninguém conhece ou um "amigo" de Costa que alimentam tempos de antena e páginas de jornais. Curiosamente, questionar-se casos mais graves como o de Maria Luís Albuquerque parece menos aceitável. A importância conferida aos aspectos pretensamente negativos do actual Governo é desproporcionada. Em oposição, assuntos como o caso Banif, designadamente com a possibilidade da venda atempada do banco, evitando assim mais um descalabro nas contas públicas, são efémeros e de pouca importância. É nestas alturas que Passos Coelho e os parcos acólitos que lhe resta rejubilam a sentem a esperança recrudescer. Até porque a avidez não é exclusivo da comunicação social.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...