Avançar para o conteúdo principal

Respeito pela lei

Confesso que nem sempre mantenho a atenção devida à actualidade, mas a última vez que verifiquei vivíamos num Estado de Direito, onde se exige o respeito pela lei, sobretudo daqueles que são titulares de cargos políticos que servem o Estado.
Vem isto a propósito da polémica em torno do ministro da Defesa e da demissão do chefe do Estado-Maior do Exército, depois de se admitir que no Colégio Militar não se cumpre a lei, designadamente através de discriminação em função da orientação sexual.
O ministro da Defesa pediu, e bem, esclarecimentos, nada escondendo dos cidadãos. O referido pedido de esclarecimento resultou na demissão do chefe do Estado-Maior do Exército e numa maior visibilidade do conservadorismo e corporativismo serôdio de parte da instituição militar.
A polémica em torno do ministro da Defesa, alimentada por uma comunicação social ávida de acontecimentos negativos que envolvam o Governo, aproveitada por uma oposição vazia e sem norte que se agarra a tudo para fazer prova de vida e utilizada por algumas patentes militares para mostrarem o seu pretenso poder, não faz qualquer sentido. O ministro da Defesa agiu em conformidade com a lei e exigiu o mesmo dos intervenientes neste processo.

Não deixa de ser estranho assistir a tanta celeuma em torno de um representante do Estado, que prometeu obedecer à Constituição e agiu a propósito de um desrespeito pela Lei Fundamental. Não deixa de ser estranho assistir a altas patentes militares pronunciarem-se sobre os acontecimentos esquecendo que o ministro da Defesa agiu de forma meramente elementar numa democracia.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Normalização do fascismo

O PSD Açores, e naturalmente com a aprovação de Rui Rio, achou por bem coligar-se com o "Chega". Outros partidos como o Iniciativa Liberal (IL) e o CDS fizeram as mesmas escolhas, ainda que o primeiro corra atrás do prejuízo, sobretudo agora que a pandemia teve o condão de mostrar a importância do Estado Social que o IL tão avidamente pretende desmantelar, e o segundo se tenha transformado numa absoluta irrelevância. Porém, é Rui Rio, o mesmo que tem cultivado aquela imagem de moderado, que considera que o "Chega" nos Açores é diferente do "Chega" nacional. Rui Rio, o moderado, considera mesmo que algumas medidas do "Chega" como a estafada redução do Rendimento Social de Inserção é um excelente medida. Alheio às características singulares da região, Rui Rio pensa que com a ajuda do "Chega" vai tirar empregos da cartola para combater a subsidiodependência de que tanto fala, justificando deste modo a normalização que está a fazer de um pa...

Fim do sigilo bancário

Tudo indica que o sigilo bancário vai ter um fim. O Partido Socialista e o Bloco de Esquerda chegaram a um entendimento sobre a matéria em causa - o Bloco de Esquerda faz a proposta e o PS dá a sua aprovação para o levantamento do sigilo bancário. A iniciativa é louvável e coaduna-se com aquilo que o Bloco de Esquerda tem vindo a propor com o objectivo de se agilizar os mecanismos para um combate eficaz ao crime económico e ao crime de evasão fiscal. Este entendimento entre o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista também serve na perfeição os intentos do partido do Governo. Assim, o PS mostra a sua determinação no combate à corrupção e ao crime económico e, por outro lado, aproxima-se novamente do Bloco de Esquerda. Com efeito, a medida, apesar de ser tardia, é amplamente aplaudida e é vista como um passo certo no combate à corrupção, em particular quando a actualidade é fortemente marcada por suspeições e por casos de corrupção. De igual forma, as perspectivas do PS conseguir uma ma...

Mais uma indecência a somar-se a tantas outras

 O New York Times revelou (parte) o que Donald Trump havia escondido: o seu registo fiscal. E as revelações apenas surpreendem pelas quantias irrisórias de impostos que Trump pagou e os anos, longos anos, em que não pagou um dólar que fosse. Recorde-se que todos os presidentes americanos haviam revelado as suas declarações, apenas Trump tudo fizera para as manter sem segredo. Agora percebe-se porquê. Em 2016, ano da sua eleição, o ainda Presidente americano pagou 750 dólares em impostos, depois de declarar um manancial de prejuízos, estratégia adoptada nos tais dez anos, em quinze, em que nem sequer pagou impostos.  Ora, o homem que sempre se vangloriou do seu sucesso como empresário das duas, uma: ou não teve qualquer espécie de sucesso, apesar do estilo de vida luxuoso; ou simplesmente esta foi mais uma mentira indecente, ou um conjunto de mentiras indecentes. Seja como for, cai mais uma mancha na presidência de Donald Trump que, mesmo somando indecências atrás de indecência...