terça-feira, 19 de abril de 2016

Destituição de Dilma: uma vergonha sem precedentes

O mundo assistiu incrédulo a um espectáculo circense com o objectivo de destituir a Presidente eleita Dilma Rousseff. Curiosamente Dilma Rousseff é das poucas pessoas envolvidas neste processo que não está a ser alvo de investigações por corrupção, contrariamente ao Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por exemplo.
Alguns momentos altos do espectáculo circense: o deputado Jair Bolsonaro lembrou orgulhosamente um coronel, ex-chefe da DOI-CODI na ditadura militar, um dos homens que torturou Dilma Rousseff; o número elevado de parlamentares evangélicos que afirmam fazer tudo em nome de Deus; ou os inúmeros episódios de histerismo que não têm lugar numa democracia, tudo entre uma ou outra "selfie".
Dilma é acusada de utilizar dinheiros públicos para financiar programas de Governo e é acusada de violar a lei da responsabilidade fiscal - nada que justifique a sua destituição, muito menos quando os mentores e apoiantes desse afastamento estão envolvidos em inúmeros casos de corrupção (Presidente da Câmara, Eduardo Cunha e Michel Temer, ambos do PMDB são bons exemplos, eles e mais de meia centena de parlamentares pertencentes ao PMDB e a outros partidos, muito mais do que um único deputado do PT que é réu) . Podemos considerar que a ainda Presidente brasileira estará muito longe de ser uma Presidente exemplar, podemos até considerá-la anódina, incompetente, o que se quiser, mas esses julgamentos devem ser feito nas urnas e deve ser o povo a fazer os juízos que entender e não um conjunto de políticos histéricos, corruptos e cuja conduta não se coaduna com qualquer democracia consolidada.

A vergonha tomou conta do panorama político brasileiro. Agora é a vez do Senado se pronunciar, ratificando, muito provavelmente, a destituição da Presidente. O que vem aí será o resultado de uma democracia enfraquecida tomada por gente sem vergonha que tenta conseguir artificialmente o que não consegue nas urnas, provocando divisões graves no seio da sociedade brasileira; o que vem aí será o resultado de um golpe de Estado.

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